Saúde

Estudo aponta aumento do risco de Síndrome de Guillain-Barré com Dengue

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2026

Um estudo conduzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Bahia em parceria com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres identificou uma forte associação entre a infecção por dengue e o desenvolvimento da Síndrome de Guillain-Barré (SGB). Os resultados foram publicados em uma revista científica internacional.

De acordo com a pesquisa, pessoas infectadas pelo vírus da dengue apresentam um risco 17 vezes maior de desenvolver a SGB nas seis semanas seguintes à infecção. Nas duas primeiras semanas após o início dos sintomas, esse risco pode chegar a 30 vezes.

Embora seja considerada uma complicação rara, os números absolutos chamam atenção. O levantamento aponta que, a cada 1 milhão de casos de dengue, cerca de 36 pessoas podem desenvolver a síndrome. Em um cenário de epidemias frequentes no Brasil, esse volume se torna relevante para o sistema de saúde.

Os pesquisadores analisaram dados do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo registros de internações, notificações de dengue e óbitos. Entre 2023 e 2024, foram identificadas mais de 5 mil hospitalizações por SGB, sendo que 89 ocorreram logo após sintomas de dengue.

A Síndrome de Guillain-Barré é uma condição neurológica em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos. Isso pode causar fraqueza muscular progressiva, geralmente iniciando nas pernas e podendo evoluir para os braços e o rosto. Em casos graves, há comprometimento da respiração, exigindo suporte intensivo.

Os autores do estudo alertam para a necessidade de incorporar a SGB como uma possível complicação da dengue nos protocolos de vigilância. O diagnóstico precoce é essencial, pois o tratamento com imunoglobulina ou plasmaférese tem melhores resultados quando iniciado rapidamente.

Além disso, profissionais de saúde devem estar atentos a pacientes com histórico recente de dengue que apresentem sintomas como formigamento ou fraqueza muscular.

Atualmente, não existe tratamento antiviral específico para a dengue. O manejo clínico é baseado principalmente em hidratação e suporte médico. Por isso, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal estratégia, com destaque para o combate ao mosquito Aedes aegypti e a vacinação.

O estudo também destaca que o Brasil enfrenta epidemias recorrentes da doença. Em 2024, o país registrou mais de 6 milhões de casos prováveis, o que amplia o impacto potencial de complicações raras como a SGB.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado a relação entre arboviroses e complicações neurológicas, como ocorreu durante a epidemia de Zika entre 2015 e 2016. A dengue pertence à mesma família de vírus.

Apesar de a maioria dos pacientes com SGB se recuperar, o processo pode ser longo, podendo levar meses ou até anos, e há casos em que permanecem sequelas permanentes.

Fonte: cenariomt

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