Os casos confirmados de esporotricose animal aumentaram 820% no intervalo de um ano em Cuiabá, passando de cinco registros em 2024 para 46 em 2025. Os dados constam no Boletim Epidemiológico de Epizootias, divulgado nesta quinta-feira (23) pela Secretaria Municipal de Saúde.
A esporotricose é uma infecção causada por fungos do gênero Sporothrix. A doença pode atingir animais e humanos, afetando principalmente a pele e os vasos linfáticos próximos à região infectada.
Em resposta ao Primeira Página, o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs) informou que, das 46 notificações positivas registradas em Cuiabá, 36 envolveram animais da capital. Outros sete eram provenientes de Campo Verde e dois de Várzea Grande, enquanto um não teve a origem informada.
O crescimento entre os animais ocorreu no mesmo período em que a capital também registrou notificações da doença em humanos. Cuiabá não teve casos humanos em 2024, mas contabilizou quatro notificações em 2025, conforme boletim informativo divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT).
Cuiabá passou de cinco casos confirmados em 2024 para 46 registros positivos em 2025.
20245 casos
202546 casos
5 em 2024
Quatro casos foram confirmados em gatos e um em cão.
46 em 2025
Foram 42 confirmações laboratoriais e quatro clínico-epidemiológicas.
Fontes: Prefeitura de Cuiabá e Boletim Epidemiológico de Epizootias.
As notificações em humanos não significam, necessariamente, que todos os pacientes tiveram a doença confirmada. Os casos precisam passar por investigação clínica e laboratorial.
Gatos concentraram as notificações
Ao todo, a Vigilância Epidemiológica de Cuiabá recebeu 60 notificações de esporotricose animal em 2025. Desse total, 58 envolveram gatos e duas foram relacionadas a cães.
Após a investigação, 46 notificações tiveram resultado positivo e oito foram descartadas. Outras seis não atenderam aos critérios necessários para a conclusão dos casos.
Gatos e ambientes domésticos concentraram os registros
A proximidade entre os animais e as pessoas amplia a possibilidade de exposição ao fungo.
58
notificações envolvendo gatos
2
notificações envolvendo cães
56
animais provenientes da zona urbana
42
notificações em ambiente doméstico
Como o fungo pode chegar aos humanos
1
Animal infectado
O gato pode apresentar nódulos, feridas abertas e lesões com secreção.
2
Contato com o fungo
A exposição pode ocorrer por arranhões, mordidas ou contato com secreções das feridas.
3
Infecção em humanos
O fungo pode entrar por ferimentos na pele e provocar nódulos, úlceras ou outras lesões.
Fontes: Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá e SES-MT.
As notificações se concentraram em áreas urbanas e ambientes próximos à população. Entre os animais investigados, 56 estavam na zona urbana, um era da zona rural e três não tiveram a localização informada.
O ambiente doméstico concentrou 42 notificações. Também houve registros envolvendo oito animais mantidos em organizações ou abrigos, dois em estabelecimentos comerciais e um animal que vivia nas ruas. Em sete situações, o ambiente não foi informado.
O boletim destacou que o predomínio de gatos mantidos em domicílios favoreceu o contato próximo entre animais e pessoas, condição que possibilita a transmissão do fungo aos humanos.
Como ocorre a transmissão
A transmissão pode ocorrer quando o fungo entra em contato com ferimentos na pele, inclusive durante atividades envolvendo terra, espinhos, palha, madeira ou matéria orgânica em decomposição.
Os gatos infectados são considerados importantes transmissores. O fungo pode ser repassado aos humanos por arranhões, mordidas ou pelo contato direto com as secreções das feridas.
Conforme o boletim, a circulação de gatos sem responsável ou sem domicílio fixo também pode favorecer a disseminação do fungo entre outros animais, pessoas e o ambiente.
Sinais da doença
Nos gatos, a esporotricose costuma provocar nódulos ou pequenas elevações na pele, principalmente no focinho, nas orelhas, nas patas e na cauda. Com a evolução da doença, as lesões podem se transformar em feridas abertas, apresentar secreção e formar abscessos.
Os animais também podem apresentar febre, perda de apetite e falta de disposição. Nos quadros mais graves, a infecção pode atingir ossos e órgãos internos.
Em humanos, a doença geralmente provoca feridas, nódulos ou úlceras na pele. Diante de sintomas após arranhão, mordida ou contato com um animal suspeito, a orientação é procurar atendimento em uma unidade de saúde.
O diagnóstico e o início do tratamento ajudam a reduzir o risco de transmissão.
Quais são os sinais nos gatos?
Nódulos ou pequenas elevações na pele;
Feridas abertas que não cicatrizam;
Lesões com secreção ou formação de abscessos;
Feridas no focinho, nas orelhas, nas patas ou na cauda;
Febre, perda de apetite e falta de disposição.
Quais são os sinais em humanos?
A infecção pode provocar nódulos, feridas ou úlceras na pele. Os sintomas podem surgir após arranhão, mordida ou contato com secreções de um animal infectado.
O que fazer com um animal suspeito?
Procure atendimento de um médico-veterinário;
Mantenha o animal em local adequado durante o tratamento;
Evite tocar diretamente nas feridas e secreções;
Use luvas ao tratar lesões ou administrar medicamentos;
Lave as mãos e os antebraços após o contato.
Como reduzir o risco de transmissão?
Mantenha os quintais limpos;
Retire matéria orgânica em decomposição;
Higienize os locais onde animais infectados permaneceram;
Evite que os gatos circulem livremente pelas ruas;
Mantenha o acompanhamento veterinário.
Animais com sinais da doença devem ser avaliados por um médico-veterinário e mantidos em local adequado durante o tratamento. As pessoas responsáveis pelos cuidados devem utilizar equipamentos de proteção ao tratar feridas ou administrar medicamentos, além de lavar as mãos e os antebraços com água e sabão após o contato.
As medidas de prevenção incluem a limpeza periódica dos quintais, a retirada de matéria orgânica em decomposição, a higienização dos locais onde animais infectados permaneceram e a posse responsável, com castração e restrição da circulação dos gatos pelas ruas.