O relatório da Polícia Federal sobre o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, com o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta telefonemas entre eles, um convite para uma festa de aniversário e conversas sobre pagamentos relacionados ao resort Tayayá, da família do magistrado.
O documento de cerca de 200 páginas, que está sob sigilo, foi entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, na segunda-feira (9). Ele reúne informações extraídas de aparelhos celulares apreendidos com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tanto na primeira quanto na segunda fase da operação Compliance Zero.
Há registros nos aparelhos de ligações telefônicas entre Vorcaro e Toffoli, mas a PF não tem o conteúdo dessas conversas. Também há conversas entre Vorcaro e terceiros sobre o resort Tayayá e tratativas envolvendo a empresa Maridt, de familiares do ministro do STF e da qual Toffoli é sócio. Essa empresa foi proprietária de parte do resort até fevereiro de 2025. O dossiê traz referências a pagamentos e operações envolvendo o resort.
A PF descobriu ainda um convite de Toffoli a Vorcaro para um aniversário, que aponta para uma possível relação de intimidade entre os dois.
Toffoli classificou as informações apuradas pela Polícia Federal como “ilações” e que a corporação não tem poder de pedir seu afastamento “nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil”. Após a divulgação de parte do conteúdo do relatório, Toffoli admitiu por meio de nota que é sócio da Maridt, mas ressaltou que só passou a atuar no caso do banco Master em novembro do ano passado, nove meses após a venda das participações no resort.
O relatório sobre as conversas extraídas dos cinco celulares de Vorcaro foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a Fachin. O documento não pede de forma expressa o afastamento do ministro, mas apresenta elementos que, na avaliação dos investigadores, indicariam incompatibilidade para que ele siga conduzindo a relatoria do caso na Corte.
O presidente do STF decidirá sobre a possível suspeição de Toffoli na relatoria do caso, aprofundando ainda mais a crise após decisões controversas tomadas por ele.
Pressão para deixar o caso
A pressão sobre o ministro aumentou após decisões tomadas que geraram críticas dentro da própria Polícia Federal. Toffoli assumiu a relatoria após pedido da defesa de Vorcaro para levar o processo ao STF, citando menção ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem foro privilegiado.
No mesmo dia em que determinou o sigilo da investigação, o ministro viajou ao Peru em aeronave de empresário e de um advogado do Master para acompanhar a final da Libertadores. Depois, centralizou no Supremo a custódia das provas e as oitivas, determinou acareação antes de depoimentos e elaborou perguntas próprias aos investigados, procedimento considerado incomum.
Inicialmente, também restringiu o acesso da Polícia Federal a materiais apreendidos, recuando em seguida para permitir atuação do Ministério Público Federal (MPF) e perícia limitada a quatro agentes. Por fim, reduziu prazos para depoimentos e cobrou novo cronograma, medida vista por integrantes da corporação como exígua.
Fonte: gazetadopovo






