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Documentos históricos do Dops são transferidos para arquivo público no Rio de Janeiro: saiba mais!

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Documentos históricos do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), localizado no centro do Rio de Janeiro, começaram a ser transferidos nesta terça-feira (31) para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj). A iniciativa atende a uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) e busca assegurar a preservação de registros considerados essenciais para a memória da ditadura militar no Brasil.

A recomendação foi emitida em dezembro de 2025, dentro de um inquérito civil conduzido pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo. Durante as primeiras inspeções no imóvel, foram constatadas condições precárias de armazenamento.

Segundo o procurador, documentos estavam guardados em sacos de lixo, espalhados pelo chão, sem identificação e sem qualquer estrutura adequada de conservação.

Para o MPF, a transferência representa um avanço significativo na proteção do acervo e no acesso da sociedade a informações históricas. A medida também reforça o direito à memória e à verdade sobre o período de repressão política no país.

Atuação conjunta

Ao longo das investigações, o MPF articulou uma ação integrada com órgãos públicos e instituições, incluindo a Secretaria de Estado de Polícia Civil, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Aperj, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e representantes da sociedade civil.

Essa articulação resultou na criação, em julho de 2024, do Grupo de Trabalho Dops. Sob coordenação técnica do Aperj, o grupo iniciou a organização dos documentos, priorizando materiais de maior relevância histórica, como registros de perseguições políticas e violações de direitos humanos.

A transferência ocorre em um contexto de fortalecimento das políticas de preservação da memória no Brasil. Em novembro de 2025, o prédio do antigo Dops foi oficialmente reconhecido como patrimônio cultural brasileiro.

Memória e acesso

A expectativa é que o local seja transformado em um memorial dedicado às vítimas da repressão estatal, marcando um espaço de reflexão sobre violações ocorridas durante o regime militar.

O edifício foi cenário de prisões, interrogatórios e denúncias de tortura ao longo de décadas. Entre as pessoas que passaram pelo local estão nomes como Nise da Silveira, Abdias Nascimento e Olga Benário.

Com a transferência do acervo para o Aperj, os documentos passam a contar com condições técnicas adequadas de conservação, além da possibilidade de futura consulta pública. Para o MPF, a iniciativa reforça o compromisso com a transparência e a preservação da história.

De acordo com o órgão, garantir o acesso a esses registros é fundamental para fortalecer a democracia e evitar a repetição de violações de direitos humanos no país.

Fonte: cenariomt

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