Na próxima terça-feira (28), o Cine Teatro Cuiabá recebe a estreia dos curta documentários “Waldir Bertúlio: Um griô Entre Nós” e “Seu Fiuza”, em uma sessão gratuita, a partir das 19h30. As obras se encontram na memória como ferramenta para contar as histórias, ao revisitarem trajetórias atravessadas pela ditadura militar e reconstruírem, a partir de vivências pessoais, fragmentos da história de Mato Grosso.
Os filmes apostam em narrativas íntimas para colocar em foco experiências que dialogam com um período de repressão, silenciamento e luta. Em “Waldir Bertúlio: Um griô Entre Nós”, a diretora Maria Clara Bertúlio parte de uma relação familiar para retratar o pai, Waldir Bertúlio, como guardião de saberes e tradições.
Já em “Seu Fiuza”, dirigido por Lívia Fiuza, acompanha a relação entre neta e avô para narrar a trajetória de Rubens Fiuza, jornalista que enfrentou as marcas da ditadura e utilizou sua profissão como instrumento de denúncia e transformação social.
Para Lívia, o filme nasce do desejo de enfrentar apagamentos históricos, em especial de memórias de um período de repressão e luta por liberdade que também movimentaram o território mato-grossense.
“O filme ‘Seu Fiuza’ é um projeto muito importante para o resgate da memória de Cuiabá, encarando as marcas da ditadura nos tempos atuais. Rubens Fiuza é um jornalista que traz a cegueira como marca de sua atuação durante a ditadura. Através da minha relação com ele e dele com a equipe, exploramos a descoberta do fazer fílmico por parte do meu avô e embarcamos no desvendar dessa história tão esquecida”, afirma a neta e diretora.
Já em “Waldir Bertúlio: Um griô Entre Nós”, a narrativa surge a partir de conversas, lembranças e da tentativa de traduzir a figura do griô, termo que nasce da tradição oral africana utilizado para se referir a quem preserva e transmite histórias. O documentário evidencia não apenas a dimensão pessoal de um mestre, mas também sua contribuição para a cultura e para os movimentos sociais mato-grossenses.
Assista o teaser do filme:
Segundo Maria Clara Bertúlio, o projeto surge da urgência de registrar essas trajetórias de figuras fundamentais para a cultura popular cuiabana e várzea-grandense.
“O que me mobilizou a fazer esse documentário foi a própria necessidade de contar as nossas histórias, de registrar a trajetória de figuras importantes da nossa cultura mato-grossense e fazer essas homenagens em vida, para quem contribuiu e lutou para que a gente tivesse conquistas importantes hoje em dia, tanto do ponto de vista dos movimentos sociais, dos movimentos culturais, da luta dentro dos espaços acadêmicos institucionais e também pela defesa dos saberes populares”, diz a diretora e filha de Waldir.
Recursos de acessibilidade
A sessão também aposta na inclusão e no acesso ampliado ao público. O documentário “Waldir Bertúlio: Um griô Entre Nós” conta com recursos de Libras e legenda descritiva, enquanto “Seu Fiuza” será exibido com legenda descritiva e audiodescrição, garantindo que pessoas com deficiência possam acompanhar as narrativas.
Ambos os projetos contaram com financiamento das leis de incentivos Aldir Blanc e Paulo Gustavo. No caso de ‘Seu Fiuza’, a partir do edital municipal ‘AUFA’, da Secretaria Municipal de Cultura de Cuiabá. Já ‘Waldir Bertúlio – Um griô entre nós’ conta com apoio do edital de Fomento Audiovisual – Documentário Temático, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), do Governo do Estado.
Cada uma das obras possui duração aproximada de 30 minutos e conta com classificação livre. Os ingressos são gratuitos e já estão disponíveis para retirada a partir da plataforma Sympla, clicando aqui. Também serão disponibilizados ingressos na bilheteria no dia da exibição.
Fonte: primeirapagina





