Celebrado em 28 de maio em todo o mundo, o Dia Mundial do Hambúrguer homenageia um dos pratos mais populares da gastronomia global. Presente em diferentes culturas e cardápios, o hambúrguer deixou de ser apenas um lanche rápido para se tornar uma experiência gastronômica que une técnica, criatividade e identidade regional.
Embora tenha origem ligada à cidade de Hamburgo, na Alemanha, o sanduíche ganhou projeção internacional nos Estados Unidos no início do século XX e, desde então, passou por diversas transformações. Hoje, o prato é versátil e acompanha as mudanças de consumo, indo do tradicional ao gourmet, com releituras que valorizam ingredientes, técnicas e preferências locais.
Em Mato Grosso do Sul, esse movimento também se destaca. Para entender como o hambúrguer vem se reinventando no Estado, o Portal Primeira Página esteve em uma hamburgueria de Campo Grande e conversou com profissionais que vivem a rotina das chapas e churrasqueiras.
Na hamburgueria Burguer Pub, a sócia-proprietária Luana Jara Castro e o líder de turno Bruno da Silva Barbosa explicam que o sucesso de um bom hambúrguer começa na base: escolha dos ingredientes e equilíbrio de sabores.
“Os ingredientes de qualidade fazem toda diferença, e também tem que saber fazer boas harmonizações de sabores, porque colocar tudo junto às vezes não fica ideal”, afirmou Luana.
Mesmo com o avanço de combinações criativas, alguns clássicos seguem firmes entre os mais pedidos. Queijo e bacon continuam liderando a preferência dos clientes, mostrando que tradição e novidade caminham lado a lado.
Na preferência pessoal, Bruno aposta em hambúrgueres mais altos, que valorizam a experiência sensorial da carne.
“Eu prefiro o hambúrguer maior, que pra mim é mais suculento, e ele tem gosto de churrasco porque é feito na churrasqueira”, explicou.
Quando questionada sobre uma criação com identidade sul-mato-grossense, Luana cita uma combinação que tem conquistado espaço: o hambúrguer com costela desfiada. A proposta valoriza a qualidade da carne produzida no estado e o paladar marcante do público local.
Blend perfeito
Antes mesmo de chegar à chapa, a base de um bom hambúrguer começa na escolha e na proporção das carnes. O chamado “blend” — mistura de diferentes cortes — é um dos principais responsáveis pela textura e pelo sabor do lanche.
Segundo Luana, não existe segredo, mas técnica e equilíbrio são fundamentais. A combinação correta garante que o hambúrguer fique suculento, macio e com sabor mais intenso.
“Para um blend a gente recomenda a composição com 80% de carne, como acém ou ponta de costela, e 20% de gordura para dar liga e deixar o hambúrguer suculento, para não ficar seco”, explicou.
A presença da gordura é essencial. Além de dar estrutura ao hambúrguer, ela contribui para manter a umidade da carne durante o preparo. Quando a proporção não é respeitada, o resultado pode ser um hambúrguer ressecado e menos saboroso.
Outro cuidado importante está na moagem da carne. Cortes frescos e bem manipulados ajudam a preservar as características do produto, evitando que o hambúrguer perca textura e qualidade.
Além disso, o processo de modelagem também influencia no resultado final. Compactar demais a carne pode deixá-la dura; por outro lado, modelar de forma leve ajuda a manter a maciez e facilita o preparo uniforme.
Ponto ideal?
O ponto da carne é um dos fatores mais determinantes na qualidade do hambúrguer e também um dos mais discutidos entre clientes e profissionais da área. Mais do que uma preferência estética, ele interfere diretamente na suculência, textura e intensidade do sabor.
De acordo com Luana, o ponto ideal existe, mas não é absoluto — ele varia de acordo com o gosto de cada cliente.
“Eu gosto de hambúrguer ao ponto, acho que é o ponto ideal, mas vai a critério de cada um. Tem cliente que não gosta do hambúrguer vermelhinho. Então para nós hamburgueiros é ao ponto, mas não é regra”, disse.
O hambúrguer ao ponto costuma apresentar interior levemente rosado e mais úmido, preservando os sucos naturais da carne. Essa característica garante maciez e um sabor mais acentuado.
Já o hambúrguer bem passado tende a ser mais firme e seco, mas ainda é preferência de parte do público, especialmente de quem busca uma carne completamente cozida.
Para quem está na cozinha, atingir o ponto correto exige controle de técnica. Fatores como temperatura da chapa, tempo de preparo e espessura do hambúrguer influenciam diretamente no resultado.
A selagem da carne, feita em alta temperatura, é um dos passos mais importantes. Ela cria uma crosta por fora, ajudando a manter a suculência por dentro. Esse processo também intensifica o sabor, garantindo uma experiência mais completa ao consumidor.
Outro ponto observado pelos profissionais é o perfil do público. Enquanto há clientes que valorizam sabor e textura mais macia, outros preferem segurança e uniformidade no preparo. Por isso, adaptar o ponto ao pedido é essencial para garantir a satisfação.
Diferença entre smash e hambúrguer tradicional
Entre as opções mais populares estão o smash burger e o hambúrguer tradicional, mais alto. O smash é preparado com a carne prensada diretamente na chapa, formando uma crosta externa, mas mantendo a suculência no interior.
Já o hambúrguer tradicional, mais espesso, retém mais líquidos, oferecendo sabor mais intenso e textura mais macia. Na prática, a escolha entre os dois vai além da técnica e acompanha mudanças no comportamento do consumidor.
Luana explica que, com a chegada das chamadas “canetas emagrecedoras”, o perfil do público passou por alterações. A busca por opções vistas como mais leves cresceu, o que impulsionou o consumo do smash burger.
Segundo ela, isso acontece porque o smash aparenta ser menor, com menor quantidade de proteína, o que atrai quem busca reduzir o consumo calórico.
Essa tendência também se reflete em adaptações no lanche. Em alguns casos, clientes optam por retirar o pão e substituí-lo por folhas de alface, reforçando a procura por opções alinhadas ao estilo de vida fitness.
Novas tendências: vegetarianos em alta
Outro reflexo dessa mudança no perfil de consumo é o aumento da procura por opções vegetarianas. Segundo Luana, a hamburgueria já se adaptou parcialmente à demanda.
“Produzimos opções vegetarianas, substituindo o hambúrguer bovino por muçarela empanada”, afirmou.
Por outro lado, ainda não há produção de hambúrgueres veganos. A decisão está ligada à estrutura da cozinha e ao cuidado com a manipulação dos alimentos.
“Não fazemos hambúrgueres veganos por questão logística mesmo, pois teríamos que investir em chapas separadas. Por esse cuidado de não ter contato com a carne animal, não oferecemos o produto na casa”, explicou.
Com técnicas cada vez mais refinadas, valorização da matéria-prima e atenção às novas demandas do consumidor, o hambúrguer segue como um dos pratos mais dinâmicos da gastronomia.
Em Mato Grosso do Sul, ele ganha identidade própria, seja na força da carne local, nas combinações criativas ou na capacidade de se adaptar a novos hábitos alimentares — sem perder a essência que o tornou um dos alimentos mais populares do mundo.
Fonte: primeirapagina




