Com a chegada do último mês do ano, uma bandeira importante da saúde retorna em campanha nacional. Com o nome “Dezembro Vermelho”, tem como objetivo alertar sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e de outras infecções sexualmente transmissíveis.
Segundo o Ministério da Saúde, pelo menos um milhão de pessoas no país convivem com o HIV. O vírus é causador da AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida), doença que ataca as células do sistema nervoso do corpo, tornando a pessoa mais vulnerável a doenças graves e leves, como um resfriado.
O diagnóstico era tratado como uma sentença de morte durante anos, mas atualmente, a realidade é outra. Desde 2012, Rodrigo faz parte dessa estatística, quando foi diagnosticado com o vírus aos 30 anos.
“A primeira vista, você surta. A primeira coisa que vem a cabeça é Cazuza, Renato Russo, meu deus, morri. E não é nada disso, sou saudável, malho, vou à praia, namoro, sou super apoiado pela família, é não mentir. Nossa, criei mil fantasias, só que são fantasias. É seguir o tratamento direitinho, é não mentir, e contar para quem você confia muito”.
Rodrigo Moraes, guia turístico
Quando feito corretamente e sem interrupções, o tratamento garante que os pacientes tenham qualidade de vida. Apesar de não ter cura, o tratamento contínuo mantém a carga viral tão baixa que ela fica indetectável, sem riscos de transmissão do vírus.
“Antes a gente tinha vários comprimidos e até chamava de coquetel o tratamento. Hoje em dia a gente já não usa mais esse termo porque o tratamento ele se resumiu a dois comprimidos. A pessoa toma dois comprimidos, uma vez ao dia no mesmo horário e ela consegue controlar o vírus. A gente fala que adormecer, eliminar o vírus ali do organismo, né? E aí então essa pessoa se torna indetectável, sendo um tema bastante usado hoje em dia. Que é quando a pessoa tá em tratamento, tratamento regular e ela consegue manter o vírus adormecido no corpo”.
Roberto Braz, médico infectologista do CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento)
Em Mato Grosso do Sul são mais de 11.800 pessoas estão em acompanhamento com a medicação pelo SUS (Sistema Único de Saúde), e acabar com o preconceito e as dúvidas são estratégias importantes para ampliação do diagnóstico.
A testagem rápida é realizada de graça em todas as unidades básicas de saúde de Campo Grande, com resultado saindo em apenas 15 minutos. O paciente é acompanhado em todas as etapas, com fornecimento dos medicamentos pelo SUS.
“A pessoa está curada? A gente ainda não conseguiu chegar nesse nível. A pessoa consegue adormecer o vírus, mas se ela parar o tratamento o vírus voltará, a produção irá retornar, causando danos ao corpo.”
Roberto Braz, médico infectologista do CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento)
A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que todos as pessoas que tenham uma vida sexualmente ativa façam os testes pelo menos uma vez por ano, assim como o tratamento da diabete, hipertensão, as ISTs devem estar no seu calendário anual de check-up médico.
Serviço
O CTA (Centro de Triagem e Acolhimento) é o local de referência em Campo Grande no enfrentamento ao HIV e às ISTs. Localizado na R. Anhanduí, 353 – Vila Carvalho, no local é possível realizar testes rápidos, coletar preservativos, lubrificantes e profilaxias para evitar o contágio pelo vírus.
Profilaxias como a PrEP (profilaxia pré-exposição), destinada a pessoas com maior risco de contágio, e a PEP (profilaxia pós-exposição), indicada para situações em que houve exposição ao vírus, também estão disponíveis. Os medicamentos para a PrEP estão disponíveis em 22 USFs, enquanto os da PEP podem ser retirados em UPAs e CRSs, após consulta médica.
Fonte: primeirapagina