Uma série de ameaças de bomba contra aviões comerciais provocou desvios de rota, inspeções de segurança e mobilização de forças militares em diferentes países da Europa nesta quinta-feira (5). Um dos episódios envolveu um voo da companhia Aer Lingus, que saiu de Dublin, na Irlanda, com destino a Roma, na Itália, mas precisou pousar em uma base militar francesa.
O Airbus A320 transportava 157 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Todos desembarcaram em segurança. Os alertas também atingiram aeronaves que viajavam pela Bulgária, Bélgica, Itália e Áustria. Na República Tcheca, autoridades investigavam avisos relacionados a quatro voos com destino a Praga.
Até a manhã de 5 de novembro de 2026, as inspeções concluídas nos principais casos não haviam identificado explosivos. A origem das mensagens ainda era desconhecida, e as autoridades não tinham confirmado uma possível ligação entre os episódios.
Voo da Aer Lingus pousa em base militar na França
O voo EI402 decolou de Dublin com destino ao aeroporto de Fiumicino, em Roma. Durante a viagem, quando já sobrevoava o território francês, a aeronave recebeu um alerta de bomba e precisou mudar sua trajetória.
Dados de rastreamento mostraram que o avião fez curvas na região de Paris antes de seguir para a base aérea de Évreux, na Normandia, localizada a aproximadamente 100 quilômetros a oeste da capital francesa.
O gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, confirmou que o pouso ocorreu em segurança. Conforme informações divulgadas pela Associated Press, estavam a bordo 151 passageiros e seis integrantes da tripulação.
Após a chegada, equipes militares especializadas em desativação de explosivos foram acionadas para verificar a aeronave. Os passageiros foram encaminhados para um local seguro durante os procedimentos.
A Aer Lingus informou que o desvio ocorreu por precaução e afirmou que trabalharia para transportar os passageiros até Roma. Não havia registro de feridos.
Quais outros voos receberam ameaças de bomba?
Os alertas desta quinta-feira envolveram diferentes companhias aéreas e destinos. Em alguns casos, os aviões foram desviados para outros aeroportos. Em outros, as aeronaves chegaram ao destino previsto e passaram por inspeções em solo.
Bélgica e Bulgária
Na Bélgica, o voo LO235, operado pela companhia polonesa LOT, recebeu uma ameaça durante o trajeto entre Varsóvia e Bruxelas. A tripulação realizou uma primeira verificação ainda durante a viagem. Depois do pouso, autoridades belgas fizeram uma nova inspeção.
Segundo a companhia aérea, nenhum objeto perigoso ou suspeito foi encontrado.
Na Bulgária, três voos da Ryanair também foram alvo de alertas. As aeronaves que partiram de Madri, na Espanha, e Copenhague, na Dinamarca, pousaram em Sófia. Já o avião que saiu de Londres-Stansted precisou mudar o destino e aterrissou em Plovdiv.
Áustria e Itália
Uma aeronave da Wizz Air que fazia a rota entre Milão, na Itália, e Varsóvia, na Polônia, foi desviada para Viena, na Áustria.
Na Itália, um avião da Finnair que vinha de Helsinque recebeu acompanhamento da Força Aérea italiana antes de pousar em Roma, seu destino original. Outro voo da mesma companhia, também procedente da capital finlandesa, aterrissou em Viena após receber um alerta.
República Tcheca
A polícia tcheca informou que recebeu ameaças relacionadas a quatro aeronaves que seguiriam para Praga. Embora a avaliação inicial tenha indicado baixa credibilidade dos avisos, as autoridades anunciaram inspeções após os pousos.
Alertas começaram no início da semana
Os episódios registrados nesta quinta-feira fazem parte de uma sequência de ameaças iniciada nos dias anteriores. Na terça-feira (3), pelo menos sete voos receberam avisos de possíveis explosivos, segundo informações da Reuters.
Um dos casos envolveu uma aeronave da LOT que fazia o trajeto entre Londres e Varsóvia. O avião precisou pousar no aeroporto de Modlin, em vez do terminal Chopin, onde deveria chegar. A administração do aeroporto de Modlin suspendeu temporariamente as operações para permitir a inspeção.
Na mesma terça-feira, um voo da SAS que partiu de Copenhague pousou em Varsóvia e também passou por verificações. Alertas atingiram ainda aeronaves da Ryanair em rotas envolvendo Espanha, Itália e Bulgária, além de um voo da Wizz Air que saiu do norte da Itália com destino a Sófia.
As inspeções realizadas nesses episódios não encontraram explosivos.
Na segunda-feira (2), outro avião da Wizz Air, que viajava de Londres para Sófia, foi desviado para Budapeste, na Hungria. Caças Gripen da Força Aérea húngara acompanharam a aeronave até o pouso. A vistoria posterior também não identificou uma ameaça real.
Como funciona a resposta a uma ameaça de bomba em um avião?
O procedimento depende das informações recebidas, da localização da aeronave e da avaliação das autoridades responsáveis. Quando um alerta chega à tripulação, os pilotos podem solicitar prioridade para pousar, alterar o destino ou seguir para o aeroporto planejado sob acompanhamento especial do controle de tráfego aéreo.
Depois do pouso, equipes especializadas podem inspecionar diferentes partes da aeronave. A operação também pode incluir a verificação de passageiros, bagagens e compartimentos de carga.
Por esse motivo, nem todos os aviões envolvidos nos alertas precisam realizar um pouso de emergência. Algumas aeronaves são desviadas, enquanto outras chegam ao destino original e passam pelos procedimentos de segurança em solo.
A mobilização de caças militares também pode fazer parte da resposta. Entretanto, a presença de aeronaves militares não comprova a existência de explosivos.
Em situações de emergência, os pilotos podem acionar o código 7700 no transponder. O sinal informa ao controle de tráfego aéreo que existe uma emergência geral, mas não identifica a natureza do problema. Portanto, seu uso não significa necessariamente que exista uma ameaça de bomba.
As orientações da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) também distinguem a sinalização de emergência da identificação específica do motivo que levou à ocorrência.
As ameaças eram verdadeiras? Existem suspeitos?
Até a manhã desta quinta-feira (5), as inspeções concluídas nos principais incidentes não haviam encontrado explosivos. A LOT confirmou que as verificações realizadas em Bruxelas também tiveram resultado negativo.
No caso da Aer Lingus, na França, a operação de segurança ainda estava em andamento após o pouso na base aérea de Évreux.
Ainda não havia identificação pública dos responsáveis pelas mensagens. Investigadores e especialistas buscavam esclarecer se os alertas tinham alguma relação entre si, mas as autoridades não confirmaram uma ação coordenada.
Sem uma conclusão oficial sobre a origem das mensagens, não há elementos suficientes para classificar os episódios como atentados ou atribuir responsabilidade a pessoas ou grupos específicos.
O que muda para quem vai viajar pela Europa?
Os alertas atingiram voos específicos e não representam, por si só, uma paralisação da aviação comercial europeia. Passageiros com viagens programadas devem acompanhar as informações divulgadas pelas companhias aéreas e pelos aeroportos.
Em caso de alteração de rota, atraso ou inspeção, a empresa responsável pelo voo é a principal fonte de informações sobre os procedimentos e a continuidade da viagem.
Até o momento, o principal dado é que as aeronaves envolvidas nos incidentes mais relevantes conseguiram pousar em segurança. A investigação ainda precisa esclarecer quem enviou as ameaças e se existe uma conexão entre os diferentes alertas registrados desde o início da semana.
Atualização: informações verificadas na manhã de 5 de novembro de 2026, no horário de Brasília. Os dados podem mudar conforme as autoridades concluam as inspeções e divulguem novos esclarecimentos.
Fonte: cenariomt






