O Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa localizada a até 500 metros de rios e outros cursos de água entre 1985 e 2025. A área corresponde a 26,9% de toda a cobertura vegetal convertida para outros usos no período.
Os dados fazem parte de um recorte sobre o bioma divulgado nesta quinta-feira (8) pela Coleção 11 do MapBiomas, que reúne mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil. As informações foram providas pela Agência Brasil.
Segundo Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, a redução da vegetação nas proximidades dos rios pode comprometer a qualidade e a disponibilidade da água. A mudança também pode aumentar a vulnerabilidade da paisagem diante de eventos climáticos extremos, como períodos de seca e chuvas intensas.
“A vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d’água”, explicou Bárbara Costa.
Alto Tocantins e Araguaia concentram perdas
Entre as seis grandes bacias hidrográficas que têm origem no Cerrado, a do Alto Tocantins registrou a maior redução de vegetação nativa nas margens dos cursos de água ao longo dos 41 anos analisados. Foram 2,9 milhões de hectares perdidos.
Na Bacia do Araguaia, a redução chegou a 2,7 milhões de hectares. Juntas, as duas bacias responderam por 41% de toda a perda de vegetação nativa registrada em áreas de até 500 metros dos rios do Cerrado.
Perda de vegetação no Cerrado
Considerando todo o bioma, o Cerrado teve uma perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025, o equivalente a uma redução de 34%. Quando o histórico anterior ao início da série também é considerado, o bioma já acumulava, em 2025, uma perda de 49,6% de sua cobertura nativa.
A formação savânica foi a mais afetada, com redução de 41%, equivalente a 34 milhões de hectares. A formação florestal perdeu 25%, cerca de 12,8 milhões de hectares, enquanto a formação campestre diminuiu 39%, com redução de 3,6 milhões de hectares.
A agropecuária foi a principal atividade a ocupar as áreas que deixaram de ser cobertas pela vegetação nativa. A área destinada ao setor passou de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares, ocupando 48,9% do território que anteriormente era coberto pelo Cerrado. Em 2025, a agricultura ocupava 29,7 milhões de hectares e a pecuária, 53,9 milhões.
Estados e municípios também registram mudanças
Entre 1985 e 2025, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco e o Distrito Federal deixaram de ter mais da metade de seus territórios cobertos por vegetação nativa do Cerrado. São Paulo já apresentava apenas 24,1% de Cerrado nativo no início da série histórica.
Na outra ponta, o Piauí manteve a maior proporção de cobertura original, com 78,2% de Cerrado nativo, seguido por Rondônia, com 76,5%, e Maranhão, com 67,4%. Os estados do Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — mantiveram mais de 50% de vegetação nativa em suas áreas de Cerrado em 2025. Juntos, eles concentravam 47,7% da vegetação remanescente do bioma.
O levantamento também aponta mudanças nos municípios. 301 municípios deixaram de ter predominância de vegetação nativa, enquanto 227 passaram a apresentar menos de 20% de sua área de Cerrado coberta por vegetação nativa.
Em 2025, a agropecuária predominava em 61% das regiões de Cerrado dentro dos municípios, ante 41% em 1985.
Perdas são maiores em áreas privadas
A maior parcela da perda de vegetação nativa do Cerrado ocorreu em áreas privadas. Segundo o levantamento, 77,7% da redução registrada em 41 anos ocorreu nesse tipo de área.
Em áreas protegidas ou de uso coletivo, incluindo terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, a perda de vegetação nativa no período foi de 13,9%.
Crédito: Agência Brasil.
Fonte: cenariomt





