SAÚDE

Deslizamentos de terra no RS atingem patamar histórico em decorrência das chuvas de 2024

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Entre abril e maio de 2024, o Rio Grande do Sul passou por uma catástrofe climática sem precedentes na história do Estado. Um terço da precipitação esperada para um ano inteiro choveu num intervalo de seis dias, e as inundações causadas pelas chuvas intensas mataram 184 pessoas. Um ano depois, em abril de 2025, a Defesa Civil do RS afirmou que 25 pessoas continuavam desaparecidas.

Num novo estudo com coordenação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicado nesta quinta (28), cientistas mostraram que essas chuvas causaram o maior evento de deslizamentos de terra já registrado no Brasil.

Os pesquisadores mapearam a ocorrência de 15.376 deslizamentos de terra, com ajuda de instituições como o Instituto Federal de Goiás (IFG) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Para registrar esses eventos, os especialistas usam “inventários de deslizamento”, mapas digitais que mostram as localizações das cicatrizes que ficam depois do movimento de solo nas encostas.

A equipe do estudo criou um banco com 474 imagens de satélite de alta resolução, entre 4 de maio e 31 de agosto de 2024, para registrar as evidências de deslizamentos. Os resultados foram compartilhados no periódico Landslides e podem ajudar a planejar estratégias de prevenção para crises futuras.

Antes disso, os eventos de deslizamento registrados eram muito mais localizados, geralmente se limitando a só um município. O segundo pior caso da história aconteceu no Rio de Janeiro, em 2011, quando cerca de 4.300 cicatrizes de deslizamento marcaram oito municípios do estado.

O evento no Rio Grande do Sul em 2024 deixou mais que o triplo de cicatrizes [em comparação com o RJ], e atingiu mais de cem municípios desde a área central até a porção nordeste do estado”, explicou para a Super o professor Clódis de Oliveira Andrades-Filho, do Instituto de Geociências da UFRGS.

Prevenir é o melhor remédio

Os pesquisadores envolvidos no estudo identificaram 16.862 pontos de início de deslizamento, numa área de 18 mil quilômetros quadrados (quase dois milhões de campos de futebol). Isso inclui 150 dos 497 municípios do RS, cerca de 30% das cidades gaúchas. Quando um ponto de ruptura que causou o deslizamento é identificado, dá para analisar os aspectos do terreno e entender quais características deixam uma área mais vulnerável.

Esses princípios de deslizamentos ocorreram especialmente nas encostas voltadas para o norte, que tinham uma cobertura vegetal mais esparsa do que as voltadas para o sul. Isso porque, no Rio Grande do Sul, as encostas viradas para o sul recebem menos iluminação solar e, por isso, são menos usadas na agricultura, preservando suas áreas verdes. Já as encostas viradas para o norte, por receberem mais luz, são usadas para plantações, e a intervenção humana no solo, com desmatamento e construções, deixa a região mais vulnerável a deslizamentos.

Essa caracterização [dos aspectos do terreno com deslizamento] é essencial para o estabelecimento de novos modelos e mapas que informem as áreas dos municípios que tem maior possibilidade de ocorrer novos deslizamentos em grandes episódios de chuva”, explica Andrades-Filho. 

Um estudo como esse pode ajudar o poder público a identificar áreas de risco e levar isso em conta no zoneamento dos municípios, além de direcionar ações para recuperar a estabilidade do terreno em áreas que sofreram deslizamentos e providenciar dados e parâmetros para que a Defesa Civil possa emitir alertas de risco geológico em casos de previsão de tempestade.

Os estudos científicos apontam que a porção sul do Brasil, no contexto das mudanças climáticas, sofrerá com cada vez mais episódios de chuvas intensas”, afirma Andrades-Filho. O risco de eventos como esse não ficou no passado, como se as inundações de 2024 fossem uma mera anomalia climática. “É necessário construir e aplicar estratégias que visem a melhor convivência com o risco e que permitem uma adaptação à realidade de crise climática.”

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Fonte: abril

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