Colocando um novo capítulo em um mistério que já dura mais de 150 anos, pesquisadores publicaram uma nova descrição dos misteriosos prototaxites em um artigo na revista Science, na última quarta-feira (21). O artigo argumenta que esse ser vivo não pode foi nem fungo nem vegetal – e pode ter pertencido a uma classe totalmente diferente de seres vivos.
Vamos começar do começo: em meados do século 19, em Rhynie, na zona rural da Escócia, pesquisadores encontraram fósseis de seres enormes. À primeira vista, as estruturas de oito metros de altura e 1 metro de largura se pareciam com troncos podres, e os cientistas descreveram a espécie como uma árvore muito antiga.
Prototaxite vem daí: escolha do canadense John William Dawson, o nome significa “o primeiro teixo”, em referência a um grupo de árvores coníferas. Os prototaxites seria, então, como um ancestral dos teixos contemporâneos – e bota ancestral nisso.
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As datações por radiocarbono indicam que os prototaxites viveram há cerca de 410 milhões de anos, quando o planeta era habitado por microorganismos, fungos, algas, plantas simples como musgos, alguns pequenos animais marinhos e pouquíssimos animais terrestres, como insetos.
Os biólogos analisam características dos seres vivos que permitem localizá-los em uma grande árvore da vida – uma área do conhecimento chamada taxonomia. Os prototaxites são um enigma porque possuem características mistas de vários grupos.
Ao longo das décadas seguintes, análises detalhadas do fóssil revelaram que o nome era inapropriado, já que os fósseis não poderiam ter pertencido a nada próximo de uma árvore.
Eles eram formados por estruturas grandes e multicelulares compostas de vários tipos de tubos, e se alimentavam de matéria orgânica em decomposição, da mesma forma que fazem alguns fungos. Por muito tempo, isso foi suficiente para classificá-los como fungos extintos.

Agora, evidências do novo estudo sugerem que ele pode pertencer a uma linhagem de vida completamente desconhecida – que teria florescido na Terra primitiva, e desaparecido sem deixar descendentes.
Um novo estudo analisa fósseis de prototaxites encontrados na Escócia. O chert de Rhynie é uma formação geológica protegida por um depósito vulcânico – por lá, as condições favorecem um nível de preservação excepcional, em que é possível estudar as paredes celulares individuais.
Assim, os pesquisadores puderam observar grandes diferenças entre os prototaxites e os outros fungos da mesma época. As paredes celulares dos prototaxites eram completamente diferentes das dos fungos: não tinham quitina, quitosana ou betaglucana, mas apresentavam sinais de compostos semelhantes à lignina, típica dos vegetais.
“Nosso estudo, que combina a análise da química e da anatomia deste fóssil, demonstra que prototaxites não podem ser classificados dentro do grupo dos fungos. Como pesquisadores anteriores excluíram prototaxites de outros grupos de vida complexa de grande porte, concluímos que eles pertenciam a uma linhagem separada e agora totalmente extinta de vida complexa”, disse a coautora do estudo Laura Cooper, doutoranda do Instituto de Ciências Moleculares de Plantas da Universidade de Edimburgo, em comunicado.
“Portanto, prototaxites são como um experimento independente que a vida realizou na construção de organismos grandes e complexos, do qual só podemos ter conhecimento por meio de fósseis excepcionalmente preservados”, conclui.
Os pesquisadores afirmam que não há nenhuma linhagem conhecida de seres vivos que possuem essas três características – formação tubular, decomposição de carbono e estrutura de lignina. “Sugerimos que é melhor considerá-lo como membro de um grupo de eucariotas anteriormente não descrito e totalmente extinto”, escreveram no artigo.
Em entrevista à revista New Scientist, o pesquisador Kevin Boyce, que, em 2007, ajudou a promover a hipótese de que os prototaxites seriam fungos, reconheceu a mudança. “Dadas as informações filogenéticas que temos agora, não há um bom lugar para colocar o prototaxites na filogenia dos fungos”, disse.
A possibilidade de que a Terra já tenha abrigado organismos completamente diferentes do que conhecemos hoje é uma reviravolta surpreendente. As “linhagens perdidas” instigam os cientistas sobre o quanto ainda há para se descobrir sobre a vida.
A Dra. Sandy Hetherington, coautora principal, pesquisadora associada dos Museus Nacionais da Escócia e professora sênior da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Edimburgo, afirmou:
No mesmo comunicado, a coautora Sandy Hetherington, professora sênior da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Edimburgo, afirmou: “É realmente empolgante dar um grande passo adiante no debate sobre os prototaxites, que já dura cerca de 165 anos. Eles são formas de vida, mas não como as conhecemos hoje.”
Fonte: abril






