Num primeiro momento, para alguns, pode soar estranha a ideia de um cruzeiro no Tietê. Principalmente se você mora na capital paulista e a visão que você tem do rio é aquela marcada pela poluição, sujeira e um cheiro que insiste em ficar grudado nas narinas.
No entanto, o Tietê é muito maior do que esse trecho urbano. Depois de atravessar a Região Metropolitana, ele segue para o interior com águas limpas e navegáveis, até desaguar no Rio Paraná. Com mais de 1,1 mil km de extensão, o curso d’água corta cidades como Barra Bonita, onde virou cenário de um cruzeiro que mistura paisagens, história, conforto e música a bordo.
A cerca de 300 km da capital, Barra Bonita é o ponto de partida do cruzeiro a bordo do Navio Homero Krähenbühl. A embarcação, de porte médio, começou a operar em 2022, e hoje recebe principalmente famílias, grupos e excursões de diferentes regiões.
O projeto nasceu de um desejo do jornalista Carlos Nascimento, que decidiu investir no turismo fluvial depois da aposentadoria. Os roteiros de seu navio partem do píer turístico de Barra Bonita, têm duração média de até cinco horas e incluem refeições. Ao longo do trajeto, a embarcação percorre o Tietê passando por pontos de interesse que ajudam a contar a história do rio e da região.
Entre os destaques do percurso está a eclusa de Barra Bonita, que funciona como um elevador para barcos: o navio entra em uma área fechada e o nível da água sobe ou desce até alcançar o outro lado do rio, vencendo um desnível de cerca de 26 metros e permitindo a continuidade da navegação. Ao longo do trajeto, também aparecem marcos históricos e da industrialização paulista, como a Usina Hidrelétrica de Barra Bonita.
Dois roteiros, dois olhares sobre o rio
O primeiro roteiro segue no sentido de Pederneiras, navegando até a altura da Fazenda Porto. Esse é o trecho que mais se aproxima do Tietê antes das transformações causadas pelas barragens, ainda na década de 1960. A água é considerada mais limpa, a mata ciliar foi recomposta e o entorno tem um aspecto mais natural, com presença frequente de pescadores. Na volta, o trajeto passa pela Ponte Levadiça Campos Salles, inaugurada em 1915 e hoje tombada como patrimônio, além da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita, a primeira construída no rio. Aqui, também acontece a travessia pela eclusa.
Realizado aos domingos, o embarque acontece pela manhã, com saída às 9h30 e duração média de cinco horas. O pacote inclui café da manhã, almoço e sobremesa, e, assim como no roteiro de sábado, há música ao vivo durante o percurso.
Nos dois casos, a proposta é semelhante: mostrar diferentes faces do Tietê. Ora mais preservado, ora marcado pela intervenção humana.
Estrutura a bordo
A paisagem pode até ser um dos pilares do passeio, mas a estrutura dentro do navio é um dos principais destaques. Dependendo do roteiro e do horário, o pacote inclui café da manhã ou drink de boas-vindas, além de almoço completo com diferentes opções de prato principal – como peixes, carnes e alternativas veganas – acompanhadas de sobremesa, café e licor. Bebidas e porções extras são cobradas à parte.
A embarcação é dividida em diferentes ambientes. No convés principal ficam o restaurante, a cozinha e uma das áreas de convivência, além de bar, pista de dança e palco, onde acontecem as apresentações musicais. No convés superior, há mais um restaurante, bar e espaços de estar, que em alguns momentos também funcionam como área para eventos. Já no último nível, o mais alto, o lounge reúne sofás e um bar, com vista aberta para o rio.
Durante o trajeto, a música ao vivo acompanha o percurso com um repertório variado, de MPB a pop e sertanejo. Outro ponto de destaque é a acessibilidade: o navio conta com elevador, piso tátil e estrutura adaptada, permitindo que diferentes perfis de público circulem pelos espaços com mais facilidade.
Quanto custa?
Fonte: viagemeturismo





