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Descubra curiosidades sobre o Dia Mundial do Pistache e como essa castanha não é produzida no Brasil

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O dia 26 de fevereiro é celebrado como Dia Mundial do Pistache. Apesar de estar em muitas receitas brasileiras esta castanha esverdeada não tem produção nacional. E dificilmente vai ter.

A editoria de Agro do Primeira Página perguntou à Embrapa Agroindústria Tropical para saber os motivos dessa dificuldade. São apenas dois, porém, com muitos desafios a serem superados.

O primeiro é a ausência de germoplasma (a soma total dos materiais hereditários de uma espécie) e cultivares da planta no País.

Para superar essa etapa, afirma a Embrapa : “é necessário importar esse material genético. Essa operação está sujeita à autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), um procedimento que pode levar cerca de um ano e é necessário para, entre outras coisas, evitar a entrada de doenças e pragas no País. E o processo deve envolver instituições como a Embrapa ou o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que fazem a introdução de germoplasma no País. Após a liberação do Mapa, existe a quarentena, necessária para garantir a segurança fitossanitária. Somente após o período de quarentena, pode-se iniciar o plantio das primeiras mudas.”

No ano passado, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará procurou a Embrapa Agroindústria Tropical com interesse em testar o cultivo no Ceará. Porém, a Embrapa informa que não foi formalizada parceria para início de pesquisas.

O Ceará enfrenta um segundo desafio, inerente a quase todo o território nacional e, com certeza, a região centro-oeste.

“Trata-se de uma planta de clima frio, que em sua região de origem necessita de períodos de neve ou, pelo menos, entre 60 e 90 dias consecutivos com temperaturas abaixo de 10°C”, informa a Embrapa.

Em regiões como a América do Sul, o pistache tem sido testado na província de Mendoza, na Argentina, que possui um clima semiárido, mas com temperaturas baixas no inverno.

“Em contrapartida, no Brasil, especialmente no estado do Ceará, o clima quente e a falta de um inverno rigoroso representam um grande desafio. A adaptação da planta ao clima tropical é um dos maiores obstáculos a serem enfrentados na tentativa de introduzir o cultivo de pistache no Brasil”, concluem os técnicos da Embrapa.

Origem do pistache

O pistacheiro é originário da Pérsia, atualmente Irã, uma região que, apesar de seu clima desértico, apresenta temperaturas baixas no inverno, uma condição que não é encontrada, por exemplo, no estado do Ceará, no Brasil. Essa especificidade climática reflete a importância de considerar as condições ambientais adequadas para o cultivo dessa planta.

A planta pertence à família Anacardiaceae, mesma família do cajueiro. A nomenclatura das famílias botânicas geralmente é definida pela primeira espécie ou gênero bem descrito dentro de uma determinada família, sendo o cajueiro (Anacardium occidentale) o responsável pelo nome da família Anacardiaceae. Além do cajueiro, essa família inclui a mangueira e o pistacheiro, que embora sejam botânicamente relacionadas, apresentam características bastante distintas.

Essas plantas possuem formas e frutos diferentes. Por exemplo, o pistacheiro é uma planta dióica, ou seja, apresenta árvores com flores masculinas e femininas separadas, ao contrário do cajueiro, que possui uma árvore com flores de diferentes tipos. Outra diferença importante é a exigência de clima para o cultivo. O cajueiro e a mangueira são adaptados a climas quentes, enquanto o pistacheiro requer um clima frio, especialmente durante uma época do ano, para se desenvolver adequadamente.

Importação

O Brasil importa pistache dos Estados Unidos, Argentina e Irã. Não há dados atualizados sobre o volume de importações, mas desde 2022, o volume vem crescendo. O número passou de 350 toneladas para 1.000 toneladas em 2024.

Fonte: primeirapagina

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