Resignação, uma palavra bonita, às vezes plena de altruísmo, mas tem um significado que nem sempre é tão bonito quanto a sonorização de seu vocábulo. Segundo nossos dicionários, Resignação diz respeito à “aceitação de uma situação difícil ou inevitável, ainda que com ela não concorde, geralmente com paciência e sem ao menos tentar resistir”. Cabe, ainda, ser vista como conformidade, submissão, renúncia, ou desistência.
Vamos nos ater ao seu primeiro sentido, o de conformidade. Aqui, a resignação pode ser definida como uma condição de conformidade de algo que se julga ser a vontade de Deus ou do acaso, segundo as leis da vida. Não pode ser confundida com simples aceitação de algo pelo qual se lutou antes de aceitar a perda. Na conformidade não há discordância ou luta para recuperar algo que, porventura, se tenha perdido.
Em todos os quatro sentidos – conformidade, submissão, renúncia, ou desistência – resignação alcança um grande número de jovens dos tempos modernos, mas é no sentido de conformidade, que ela mais se adequa às gerações atuais. A princípio é difícil distinguir um sentido de resignação do outro, a diferença é pequena e todos terminam se complementando.
A época atual, por algumas considerações, que levaríamos horas nos reportando a elas, provoca grande falta de motivação, faz de muitos de seus jovens seres passivos, destituídos de perspectivas, satisfeitos com o que têm, seja pouco, seja muito; sem aspirações de crescimento, sem valorização do estudo. São jovens que procuram manter aquilo que dominam e o desenvolvimento vem com a prática, também empobrecida, não com a procura de mais conhecimentos.
A preocupação de desenvolver-se socialmente ou profissionalmente não existe. A vida literalmente “os leva” e parece que não se incomodam com isso, que estão bem assim. São até bem vistos, afinal de contas, são pessoas sem ganância, apenas contestam a ganância do outro. O trabalho como a busca de alcançar patamares mais elevados e maiores proventos é visto como uma selvageria do capitalismo, afinal de contas para que desejar ter mais do que já possuem, se todos podemos viver tranquilamente, com o que temos até agora, sem almejar nada mais para amanhã, e no final do dia sentar confortável e tranquilamente à porta de casa e saborear com os amigos um cafezinho ou um tereré, um chimarrão, quem sabe beber uma cervejinha bem gelada e fumar um palheiro. Afinal de contas, amanhã não vai ser outro dia, vai ser o mesmo, o que muda é apenas o número do calendário.
Outro grande problema é que os pais continuam socorrendo os filhos e suas famílias financeiramente, isso quando eles não moram com os pais, na total dependência deles, parecendo como uma obrigação legal dos tempos atuais, fazendo dos adultos de hoje eternos adolescentes. Para esses jovens, o trabalho que lhes deveria ser prazeroso, quase nunca o é; são pessoas que mudam de emprego, simplesmente por discordar da dinâmica do local em que trabalham. Pedem sua própria demissão, independentemente de ter outro serviço em vista ou não, afinal os pais sempre foram e parece que sempre serão seu porto seguro.
É interessante que hoje há um paradoxo na educação dos filhos: enquanto os pais trabalham no sentido de adultizar as crianças, infantilizam ou adolescem seus filhos adultos. Tantas são as campanhas visando à proteção da sociedade como um todo e dos filhos em particular, que esquecemos de orientar os pais a agiram como pais, preparando os filhos para uma vida futura com responsabilidade, em que eles devem manejar a direção de seus próprios caminhos para vencer na vida, ou serão meros espectadores de uma história banal, sem um enredo digno de ser contado àqueles que o sucederem.
Estimular e encorajar os filhos em direção ao crescimento emocional é lhes proporcionar saúde mental no presente e no futuro, além de contribuir com o progresso cultural e econômico da nação.
Caso contrário, se essa tendência resignante assim permanecer, como será a produção e o desenvolvimento do país na década de 40 com a maior população adulta, de meia idade, composta pelos jovens de hoje. Dentro dessa possibilidade, acho que já podemos predizer o amanhã: a história vai estar repleta de paz e amor, de extrema importância, mas sem mentes pensantes e ambiciosas, a sociedade sucumbirá ao caos. O lado bom da história é que morreremos tranquilos. Paz e Amor!
Fonte: primeirapagina






