Sim – e eles funcionavam, atĂ© certo ponto. A cevada e o trigo foram os primeiros testes de gravidez da histĂłria. Um tratado de medicina do Egito Antigo, de aproximadamente 1.350 a.C., recomenda que a mulher urine nesses grĂŁos durante alguns dias. Se eles brotarem, Ă© porque a moça estava grávida. E o papiro vai alĂ©m: “Se a cevada brotar, significa que Ă© um menino. Se o trigo brotar, Ă© porque Ă© uma menina”.Â
A parte de adivinhar o sexo Ă© crendice, mas o teste tem um fundo de verdade. Um artigo de 1963 da Universidade de Cambridge verificou a validade do mĂ©todo egĂpcio. Os pesquisadores misturaram a cavada e o trigo ao xixi de mulheres grávidas, homens e mulheres que nĂŁo estavam grávidas. 70% das amostras de urina de mulheres grávidas promoveram o crescimento dos grĂŁos. Nos xixis de pessoas nĂŁo grávidas, nĂŁo houve crescimento algum.
É provável que a germinação seja desencadeada pelos elevados nĂveis de estrĂłgeno na urina, um dos principais hormĂ´nios da gravidez. No entanto, pesquisadores ainda nĂŁo conhecem os detalhes por trás desse mecanismo.
Na Idade MĂ©dia, surgiram outros mĂ©todos que utilizavam o xixi para prever a gravidez, de validade cientĂfica incerta. Autodenominados “profetas” analisavam a cor, textura e cheiro da urina para identificar doenças e alterações corporais. Num documento de 1552, o xixi de uma mulher grávida foi descrito como “de cor limĂŁo clara e pálida, com aspecto esbranquiçado na superfĂcie”.
Foi sĂł no inĂcio do sĂ©culo 20 que o fisiologista inglĂŞs Ernest Starling descobriu a existĂŞncia dos hormĂ´nios, ou “mensageiros quĂmicos”, como ele descreve. Em 1927, surgiu o primeiro teste de gravidez com base no hormĂ´nio hCG, responsável por fazer a mulher parar de menstruar e preparar o Ăştero para receber o embriĂŁo.
Desenvolvido pelos cientistas Selmar Aschheim e Bernhard Zondek, o teste consistia em injetar a urina da mulher em uma rata que ainda não havia atingido a maturidade sexual. O hormônio hCG estimula o desenvolvimento precoce e ovulação do roedor. Se isso ocorresse, indicava que a mulher estava grávida.
O mĂ©todo era problemático: era preciso esperar uma semana atĂ© que a ratinha atingisse a maturidade sexual e ainda sacrificá-la no final do experimento, para olhar o ovário e verificar se estava ovulando. Nos anos 1930, as ratas foram substituĂdas por coelhas, e entĂŁo por sapos fĂŞmeas.
A vantagem das sapas e rĂŁs Ă© que elas soltam os Ăłvulos na natureza, entĂŁo nĂŁo Ă© necessário dissecá-las para descobrir o resultado. Centenas de milhares de anfĂbios foram usados como teste de gravidez entre os anos 1940 e 1960.Â
De toda forma, as mulheres ainda precisavam ir ao médico para que ele enviasse a amostra de urina ao laboratório de sapos. Isso só mudou com a criação do primeiro teste hormonal caseiro, na década de 1970, pela inventora Margaret Crane (leia mais aqui).
Finalmente, na década de 1980, surgiram os testes de gravidez semelhantes aos que compramos nas farmácias hoje. Alguns passam de 99% de precisão – é melhor deixar a cevada e trigo na cozinha.
Fontes: Artigo The Long Gestation of the Modern Home Pregnancy Test; Artigo The Thin Blue Line: The History of the Pregnancy Test; Artigo ON AN ANCIENT EGYPTIAN METHOD OF DIAGNOSING PREGNANCY AND DETERMINING FOETAL SEX; Texto Pee is for Pregnant: The history and science of urine-based pregnancy tests
Pergunta de @marciomcpiaui, via Instagram
Fonte: abril





