Saúde

Descubra a técnica dos antigos vietnamitas para pintar os dentes de preto

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Em textos chineses antigos, há diversos relatos de terras além do mar contendo descrições de um “Reino dos Dentes Pretos”. Por exemplo: o Clássico das Montanhas e Mares, um documento de geografia mitológica anterior ao ano de 221 a.C., descreve um reino no qual “pessoas tinham dentes pretos e consumiam arroz e cobras”. Outro texto, datado do século 16 d.C., fala de um lugar em que, “independentemente do status, homens e mulheres furavam suas orelhas, andavam descalços e pintavam seus dentes de preto com plantas”.

Em tempos mais recentes, essas terras receberam um nome mais singelo: Vietnã, um país onde, até hoje, alguns povos mantêm a tradição milenar de tingir seus sorrisos com tinta preta.

Não é uma exclusividade: a preferência por uma dentição escura é registrada em diversas culturas ao redor do mundo, desde a Ásia e a Oceania até certas regiões da América e da África. As justificativas para isso são múltiplas, mas geralmente giram em torno de alguma forma de distinção social. Ou seja: um sorriso preto poderia sinalizar a diferença entre humanos e animais ou demônios em disfarce, ou entre etnias locais e estrangeiras. Os dentes poderiam separar, também, a juventude da maturidade – como um rito de passagem para jovens mulheres, cujos sorrisos, então escurecidos, traziam consigo um ar de beleza e elegância.

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“Em nossa dinastia, todos os funcionários da corte tingem os dentes para se distinguirem dos plebeus. As mulheres, independentemente da posição social, tingem os dentes de preto para se distinguirem das moças solteiras. No entanto, viúvas e freiras budistas lixavam os dentes de volta à cor branca”, consta na enciclopédia sino-japonesa Wakan Sansai Zue, de 1712.

Dito isso, a prática vietnamita (chamada nhuộm răng đen) consegue se diferenciar das demais, tanto pela qualidade quanto por sua sofisticação. O processo é demorado, e envolve duas etapas distintas de tingimento. No final, o que resulta é um preto profundo e duradouro, que, salvo pontuais retoques a cada dois ou três anos, pode durar por toda uma vida.

Agora, um novo estudo traz as evidências arqueológicas mais antigas dessa prática em qualquer lugar do mundo: crânios milenares, desenterrados no sítio arqueológico de Dong Xa, na província de Hung Yen, no Vietnã. O estudo foi publicado no periódico Archaeological and Anthropological Sciences no final de janeiro.

Pesquisadores analisaram a dentição de dois esqueletos da Idade do Ferro, que, mesmo após 2 mil anos, continuam ostentando os mesmos sorrisos tingidos. Contaram também com outro crânio, datado de mais ou menos 400 anos atrás. Analisando a composição química dos dentes, os cientistas buscaram desvendar os métodos e ingredientes por trás da coloração forte.

Até agora, a principal explicação por trás do processo de escurecimento tinha a ver com o consumo das nozes de bétele (ou nozes de areca), sementes psicoestimulantes que os antigos vietnamitas costumavam mastigar para sentir seus efeitos estimulantes. Porém, a cor escura e amarronzada que essas nozes causavam nos dentes não explicava completamente o preto maciço que ocupava as bocas daqueles crânios. O processo deveria ser outro.

As respostas que os cientistas encontraram foram duas: ferro e enxofre, produtos dos sais de ferro que são comumente usados na criação de diversos pigmentos pretos. O tingimento, portanto, só poderia ter ocorrido por meio de repetidas aplicações de uma pasta. Para testar essa hipótese, os cientistas aplicaram uma tinta metalogálica, feita a partir dos mesmos sais de ferro, sobre um dente moderno extraído de um animal. Os padrões químicos que resultaram eram similares aos padrões dos antigos crânios.

Mas não bastava só isso para descobrir o passo a passo da técnica vietnamita. Os pesquisadores também mergulharam na cultura e nas tradições do Vietnã. Os estudos etnográficos apontavam em direção a uma técnica intrincada, que servia como uma forma de distinção étnica.

Tudo começava com a preparação dos corantes. Vegetais ricos em compostos orgânicos chamados taninos eram aquecidos junto com os sais de ferro de certos utensílios de ferro ou enxofre, que reagiriam até formar um pigmento preto.

Naquela mesma enciclopédia sino-japonesa de 1712, por exemplo, os pesquisadores encontraram um passo a passo para a criação desse “líquido de ferro”.

“Hoje, mulheres com dentes escurecidos usam o método do líquido de ferro. Elas colocam ferro velho em um recipiente com uma pequena quantidade de farelo de arroz e o deixam de molho na água. No verão, a mistura é deixada por três dias e, no inverno, por sete dias. Se mantida em um local quente, um suco de ferrugem irá se formar. O suco ideal é vermelho-amarelado e levemente adocicado”, explica a enciclopédia.

A aplicação levava alguns dias. Primeiro, o esmalte dos dentes era limpo e raspado com um item afiado ou um agente ácido. Depois de três dias disso, o pigmento vermelho era feito (etapa que levava entre 8 e 15 dias), aplicado e deixado para agir durante a noite. Então, outro pigmento, ainda mais escuro, era preparado (por 2 a 8 dias), colocado sobre os dentes e deixado para agir por outra noite. No final, os dentes eram polidos até ficarem completamente negros e reluzentes, muitas vezes usando a fuligem e o alcatrão derivados dos vegetais queimados.

Os achados do estudo coincidem não apenas com documentos produzidos sobre essa tradição ao longo dos milênios, mas também com os avanços tecnológicos associados à Idade do Ferro, quando esse tipo de material começou a ser mais usado pelos seres humanos.

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Fonte: abril

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