Com quase uma semana de disputas, os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão–Cortina 2026 voltam a expor ao público brasileiro esportes pouco familiares. Entre eles está o curling, que costuma ser descrito como uma espécie de “bocha no gelo”.
A modalidade faz sucesso em países frios há décadas e consiste em um jogo de estratégia, precisão e muito controle, em que quase tudo gira em torno de um único objeto: uma pedra. Cada uma pesa cerca de 18 quilos, tem formato circular e uma alça no topo.
Ela é lançada sobre uma pista de gelo em direção a um alvo desenhado no chão, conhecido como “casa”. O objetivo é posicionar as próprias peças o mais perto possível do centro desse círculo. Ao fim de cada rodada, chamada de “end”, apenas uma equipe marca pontos: ganha um ponto para cada objeto que estiver mais próximo do centro do que a melhor colocação do adversário.
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As equipes se alternam nos lançamentos, tentando proteger suas posições e empurrar as do rival para fora da casa. Vence quem somar mais pontos ao final da partida.
O curling surgiu na Escócia, no século 16, quando moradores deslizavam pedras sobre lagos congelados. Com o tempo, o passatempo ganhou regras, clubes e competições organizadas. Em 1924, já fazia parte dos primeiros Jogos Olímpicos de Inverno.
Desde então, a lógica do jogo mudou pouco, mas o grau de padronização técnica aumentou, especialmente no que diz respeito ao material usado nas partidas. Afinal, não é qualquer rocha que serve para o curling.
Em competições oficiais, as peças vêm de apenas dois lugares do mundo: a ilha de Ailsa Craig, na Escócia, e uma pedreira chamada Trefor, no País de Gales. Ou seja, trata-se de um recurso limitado.
Nos Jogos Olímpicos de 2026, por exemplo, quase todas as pedras são feitas de granito extraído de Ailsa Craig. Durante décadas, esse material foi retirado da ilha por meio de explosivos controlados, técnica comum em pedreiras, que permitia soltar grandes blocos de rocha para posterior corte e modelagem.
Só que tem um detalhe: hoje, esse processo não é mais permitido. A ilha se tornou um santuário natural de aves marinhas, e o uso de explosões foi proibido para preservar o ambiente. Com isso, a extração regular de novos blocos praticamente acabou.
As peças usadas atualmente vêm, em sua maioria, de estoques antigos, extraídos antes da proibição, ou do reaproveitamento de unidades mais velhas, que podem ser repolidas e reutilizadas por décadas. Pesquisadores estudam alternativas em outras regiões do mundo, mas, até agora, nenhuma se mostrou à altura em termos de qualidade.
Segundo o mineralogista Derek Leung, da Universidade de Regina, no Canadá, ouvido pela Scientific American, as rochas de Ailsa Craig se formaram há cerca de 60 milhões de anos, quando os continentes que hoje formam a Europa e a América do Norte começaram a se afastar e o Oceano Atlântico estava surgindo.
O magma subiu por fissuras na crosta e esfriou lentamente abaixo da superfície, originando uma rocha extremamente compacta e estável – características decisivas para a previsibilidade do movimento no gelo.
Como ela é feita e por que é especial?
A pedra de curling é composta por duas partes. A base, que entra em contato com o gelo, é um anel estreito responsável pelo deslizamento.
Ela costuma ser feita de um granito conhecido como “azul de Ailsa Craig”, que possui grãos minerais pequenos e bem distribuídos – o que garante desgaste uniforme ao longo dos anos. Além disso, esse material absorve pouca água, reduzindo o risco de rachaduras provocadas pelo congelamento.
Já a lateral é a área que colide com outras peças durante o jogo, quando os atletas tentam alterar posições ou eliminar as do adversário. Para isso, é usado um tipo diferente de rocha, conhecido como “verde comum”, mais resistente a impactos repetidos.
A fabricação é quase artesanal e fica a cargo da empresa escocesa Kays of Scotland, responsável por praticamente todas as pedras olímpicas. Cada unidade é esculpida, polida e testada individualmente. O resultado é um equipamento caro – cerca de US$ 600 (aproximadamente R$ 3.120) por peça –, mas com vida útil de várias décadas.
O desempenho também depende do gelo. Antes das partidas, a pista recebe pequenas gotículas de água que congelam e formam uma textura levemente irregular, reduzindo o contato direto com a superfície e facilitando o movimento.
Durante o lançamento, dois atletas usam vassouras para varrer o gelo à frente da peça. A varredura aquece levemente a superfície, diminui o atrito e pode fazê-la avançar mais ou alterar discretamente sua trajetória.
Essa possibilidade de interferir no movimento após o lançamento torna o curling único. É o único esporte olímpico em que o “projétil” continua sendo influenciado depois de sair da mão do atleta.
Ainda assim, a curvatura não depende apenas da varredura. Segundo Leung, ela está ligada à própria estrutura do granito. Tentativas de substituição por materiais sintéticos, como cerâmica, fracassaram porque esses compostos perdem textura com o uso e passam a se comportar de forma imprevisível.
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Fonte: abril






