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Descubra a Experiência Única de Visitar o Bioparque Pantanal em Campo Grande!

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Inaugurado em 2022, o Bioparque Pantanal se destaca na paisagem de Campo Grande com sua arquitetura futurista em meio ao verde do Parque das Nações Indígenas – e, claro, por carregar o título de maior aquário de água doce do mundo. Mas até chegar onde chegou, o caminho foi longo.

A construção começou em 2011 e, quando me mudei para Campo Grande em 2015, o aquário parecia mais um mito urbano do que uma obra prestes a ser concluída. Sempre em construção, sempre cercado de expectativa, poucos acreditavam que um dia ele sairia do papel.

Lembro que em 2015 seu esqueleto já estava lá, e era impossível não notar o vermelho das estruturas metálicas e o formato arredondado do prédio. Durante anos, ele ficou ali de forma enigmática, até ganhar movimento aos poucos. Em 2019, o projeto foi retomado dentro do programa “Obra Inacabada Zero”.

Desenhado por Ruy Ohtake, o prédio foi imaginado como se o visitante estivesse dentro de um peixe. O formato oval sugere o corpo do animal, as linhas vermelhas fazem referência às brânquias e os triângulos entre elas lembram escamas. A obra, no entanto, demorou tanto que Ohtake faleceu em 2021 sem chegar a ver o espaço em pleno funcionamento.

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Esse longo intervalo também marcou a vida de quem acompanhava o aquário de fora. De certa forma, eu cresci junto com ele durante os anos em que vivi em Campo Grande e pude ver de perto a estrutura que por muito tempo pareceu apenas um esqueleto silencioso se tornar o coração da cidade.

De maneira um pouco irônica, o primeiro ano do aquário aberto ao público foi também o meu último morando em Campo Grande e não consegui visitá-lo na estreia. Em 2022, conseguir um agendamento era quase uma missão impossível: as vagas se esgotavam em minutos.

Só fui finalmente conhecer o Bioparque Pantanal em 2024, e voltei a visitá-lo este ano.

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COMO É A VISITA AO BIOPARQUE PANTANAL

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Para alegria dos visitantes, a entrada no Bioparque Pantanal é gratuita.

Quando o espaço foi inaugurado, a expectativa era que a gratuidade durasse apenas no primeiro ano – o que explica a corrida por ingressos nos primeiros meses. No entanto, o acesso segue sem custo até hoje, sendo necessário apenas agendar a visita. O processo é simples: basta acessar o site oficial, escolher o dia e horário disponíveis e preencher o formulário com seus dados. Em seguida, um QR Code é gerado e deve ser apresentado na entrada.

O aquário fica dentro do Parque das Nações Indígenas, um dos principais espaços de lazer da cidade. Por isso, o passeio costuma começar antes mesmo de entrar no aquário: muita gente aproveita para caminhar pelo parque, tomar um caldo de cana nas barracas próximas ou simplesmente observar as capivaras descansando à beira dos lagos enquanto espera o horário marcado.

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Quando chega a hora de entrar no Bioparque, um dos primeiros elementos que chamam atenção é o grande tanque à direita. Ele ocupa praticamente toda a parede e funciona quase como uma tela de cinema, oferecendo uma prévia do que vem pela frente. Ali está representada a Lagoa Misteriosa, atração natural do município de Jardim.

Considerada uma das cavernas inundadas mais profundas do mundo – com cerca de 220 metros de profundidade conhecidos -, a lagoa foi recriada em um tanque de aproximadamente nove metros de altura. Entre os peixes que cruzam lentamente a água está a piraputanga, facilmente reconhecida pelas nadadeiras alaranjadas. Atrás do tanque fica ainda um centro de convenções com capacidade para 250 pessoas, que pode ser locado para eventos.

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Museu Interativo da Biodiversidade

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Ao descer as escadas rolantes, o passeio parece começar de verdade, se tornando mais imersivo. Antes de chegar ao circuito principal de aquários, atravessamos o Museu Interativo da Biodiversidade, conhecido como MiBio.

O ambiente tem iluminação baixa e várias telas interativas que apresentam informações sobre o planeta – e, principalmente, sobre o Pantanal. Ali, ciência e tecnologia se misturam à educação ambiental em experiências pensadas para serem exploradas com calma: painéis explicam a evolução da vida, testes revelam a pegada ecológica de cada visitante e instalações sonoras reproduzem os sons de animais.

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Desde o fim de 2025, o MiBio também abriga a instalação artística Interações, da artista Pitchuqué. A obra é feita de retalhos de tecido que se entrelaçam e lembram raízes e fungos no solo, com a proposta de mostrar como tudo na natureza está conectado – organismos, memórias e territórios – e também convidando o visitante a se enxergar como parte dessa rede.

Museu Interativo da Biodiversidade bioparque pantanal campo grande mato grosso do sul

Depois de explorar o museu, onde crianças desenham na areia, adultos descobrem curiosidades sobre o Pantanal e todos ficamos absortos diante das telas interativas, chega finalmente o momento mais aguardado da visita: o circuito de aquários.

O circuito de aquários

Assim que adentramos somos tomados pelos tons de azul dos tanques iluminados. O circuito interno de aquários do Bioparque apresenta diferentes ambientes aquáticos e acompanha um “rio imaginário”, que vai ganhando volume ao longo do percurso. A ideia é que a gente acompanhe o caminho da água desde as nascentes até ambientes maiores, observando como as espécies mudam ao longo desse trajeto.

Logo no centro da sala está um aquário circular chamado Ressurgências, inspirado nas nascentes da Serra da Bodoquena. O tanque representa os chamados “olhos d’água”, pontos em que a água filtrada brota do solo formando correntes cristalinas. Ao redor dele, outros aquários ocupam as paredes do espaço, cada um com uma cenografia própria, que recria vegetações e formações típicas do Mato Grosso do Sul. Ao lado de cada tanque, painéis explicam o ambiente representado e as espécies que vivem ali.

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No canto esquerdo, pequenas janelas próximas ao chão permitem observar os jabutis que ficam na área externa do Bioparque – um detalhe curioso que só percebi quando olhei para baixo. Ainda assim, o percurso recomendado segue pelo lado direito. É por ali que começam os primeiros aquários e também a “nascente” desse rio imaginário que conduz a narrativa da exposição.

O primeiro deles, Veredas, representa as áreas úmidas do Cerrado, onde nascem alguns rios brasileiros. A cenografia recria a vegetação típica, com referências às plantas que ajudam a manter o equilíbrio hídrico da região. Dentro do aquário, os peixes são bem piticos, com espécies como acarará, lambari e mandizinho.

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Logo ao lado está o aquário Riachos de Cabeceira, inspirado em cursos d’água que formam pequenas quedas e corredeiras. O tanque tem uma pequena cachoeira cenográfica e abriga espécies adaptadas à correnteza, como o pequira.

Riachos de Cabeceira bioparque pantanal campo grande mato grosso do sul

À medida que avançamos, o rio “ganha corpo”: os aquários ficam maiores e os peixes também. No tanque Rios de Bonito, uma arraia chamada Lulu Santos costuma chamar a atenção de quem passa. Na minha visita, ela descansava tranquilamente no fundo enquanto era cercada por peixes maiores, como cacharas e um pacu albino conhecido como Cris.

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No aquário seguinte, Rios Grandes, aparecem alguns gigantes das águas brasileiras. Muitos deles foram nomeados carinhosamente, como o pintado Adriano, a pirarara Naína, a jaú Maria Fernanda e as arraias Jussara e Jurema. Adriano foi o primeiro a se aproximar do vidro quando cheguei, nadando lentamente bem na frente do tanque, quase como se estivesse cumprimentando os visitantes.

Seguindo em frente está o tanque Banhado Sucuri, inspirado nos ambientes alagados do Pantanal. Ali vive uma sucuri batizada de Gaby Amarantos. Na minha visita, encontrá-la não foi tão fácil: ela estava fora da água, bem escondida em um canto do tanque, camuflada entre a cenografia. O bom é que, no Bioparque, todo mundo se ajuda: sempre que alguém chegava perto para tentar dar um alôzinho para Gaby, os outros visitantes apontavam onde ela estava. Me poupou um bom tempo.

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Enquanto os aquários seguem pela direita, próximos ao chão à esquerda estão tanques iluminados pela luz natural. Lá, almofadas espalhadas pelo espaço convidam os visitantes a sentar e observar os peixes nadando com tranquilidade.

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Assistir aos peixes das almofadas é relaxante, mas ainda há um caminho para percorrer. Voltando ao circuito do lado direito, o tanque Planície Inundada representa um fenômeno típico do Pantanal. Durante a temporada de chuvas, os rios transbordam e chegam a inundar grandes áreas da planície. Nesse aquário aparecem espécies que nadam rapidamente e fazem a alegria da criançada, como piaus e zebrinhas, além do cascudo abacaxi, que estava descansando no fundo do tanque.

Dos rios aos continentes

A partir desse ponto, o percurso muda de escala. O rio imaginário que começamos a acompanhar nas nascentes agora chega às grandes bacias hidrográficas e, simbolicamente, se conecta aos oceanos e a outros continentes. Ou seja, é como se saíssemos do Pantanal e começássemos uma pequena volta ao mundo.

Os aquários passam a ser menores, mas aparecem em maior quantidade. Entre eles estão os tanques com os coloridos peixes-arco-íris da Indonésia, os famosos axolotes – anfíbios mexicanos ameaçados de extinção -, baiacus do Sudeste Asiático e ciclídeos africanos. Também aparecem espécies curiosas como o lambari-cego-da-caverna e o cascudo albino, ambos originários do México.

axolote bioparque pantanal campo grande

Um dos tanques mais interessantes dessa área é o chamado Mimetismo, onde diferentes espécies pantaneiras reproduzem estratégias de camuflagem e imitação. À primeira vista parecia haver poucos animais ali, mas quando olhei com mais calma percebi que vários deles se confundem entre si.

No centro do espaço fica um terrário onde vive uma píton albina chamada Capitu. Ela estava enrolada tranquilamente quando passei, mas ainda assim atraía olhares curiosos de visitantes de todas as idades.

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Mais adiante, os aquários voltam a ganhar escala maior. Cada tanque do lado direito passa a representar um continente, com cenografias inspiradas nas paisagens de cada região.

O aquário da Europa apresenta trutas-arco-íris em um ambiente de atmosfera tranquila. O da África traz cores mais quentes e cenografia inspirada na savana, com espécies como o ciclídeo Moorii. Já o da América recria ambientes de igapó, com peixes como o pacu-marreca, que lembra uma pequena piranha. No aquário asiático aparece o curioso bala shark, que parece um tubarão em miniatura. Por fim, o tanque dedicado à Oceania apresenta espécies como o peixe-arqueiro e o peixe-mono.

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Do lado esquerdo, os tanques externos abrigam alguns predadores, como piranhas e tucunarés. Também foi possível avistar os jacarés, um dos animais mais populares do aquário. Em um tanque, o corpo de um jacaré permanecia quase todo submerso, com apenas a cabeça fora da água; em outro, ele nadava lentamente sobre a superfície. Fofos e assustadores!

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O túnel

Seguindo pelo percurso, chega-se a um dos pontos mais famosos do Bioparque e provavelmente o mais fotografado: o maior tanque de todo o complexo, com cerca de 1,2 milhão de litros de água.

O aquário forma um túnel por onde caminhamos enquanto peixes e arraias nadam acima e ao redor de nós. Basta olhar para cima ou para os lados para vê-los deslizando pela água, como se estivéssemos dentro do ambiente aquático junto a eles.

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Não é difícil entender por que o lugar virou parada obrigatória para fotos. Dependendo do horário ou da época da visita, porém, conseguir um registro sozinho ali pode ser um desafio. O túnel costuma ficar cheio de pessoas apontando para as espécies e tentando registrar o momento em que os animais passam lentamente sobre suas cabeças.

Inclusão e área externa

Ao sair do túnel-aquário, o percurso nos leva de volta à área inicial do Bioparque, onde, do lado oposto, fica o MiBio. A partir dali, entramos em um espaço voltado à inclusão e à educação ambiental. Logo à direita está uma área dedicada à Marinha do Brasil, onde instrutores apresentam equipamentos e curiosidades. Durante a visita, eles até me deixaram experimentar um dos quepes!

Ali também está o chamado espaço biotátil, pensado para tornar o conteúdo mais acessível. Nele, os visitantes podem explorar uma maquete do Bioparque e observar de perto (e com as mãos) animais taxidermizados.

Depois de tanto observar a área externa pelo circuito interno, chega a hora de conhecê-la de perto. Decks de madeira conduzem os visitantes por uma área verde onde vivem espécies adaptadas ao clima de Campo Grande.

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É nesse trecho que os jacarés podem ser observados com mais calma, muitas vezes descansando à beira da água. Por ali também vive uma das moradoras mais simpáticas do Bioparque: uma cachorra-do-mato (espécie também conhecida como lobinho) batizada de Delinha, que costuma chamar a atenção de quem passa pela fofura.

Nos lagos, nadam carpas e tartarugas-tigre-d’água, enquanto jabutis circulam tranquilamente pela parte terrestre do espaço. Depois de conhecer o circuito externo, retornamos ao interior do prédio. As escadas rolantes levam novamente ao piso de entrada, marcando o fim da visita.

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Quem quiser guardar um pedacinho do aquário ou de Campo Grande consigo pode passar pelas lojinhas de lembranças, que ficam logo à esquerda da escada rolante por onde subimos. Os mimos vão desde chaveiros e canecas até brinquedos de animais articulados – entre eles um dos favoritos das crianças: o axolote.

Serviço

Onde? Av. Afonso Pena, 6277 – Chácara Cachoeira.

Quando? Terça-feira a sábado, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 17h30; nos feriados, das 8h30 às 14h30.

Quanto? Gratuito. Necessário agendar a visita pelo site oficial.

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Fonte: viagemeturismo

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