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Descoberta surpreendente: Prototaxites, fósseis misteriosos revelam possível forma de vida desconhecida

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Quando os primeiros fósseis de prototaxites foram encontrados em meados do século 19, ninguém sabia que eles se tornariam protagonistas um dos maiores enigmas da biologia pelos próximos séculos. Tratavam-se de seres enormes, semelhantes a troncos de oito metros de altura e um de largura. 

Foi a semelhança com um tronco que confundiu o pesquisador canadense John William Dawson, que nomeou a espécie em 1857 com um nome que significa “primeiro teixo”, em referência a um grupo de árvores coníferas. Ele acreditava ter encontrado apenas um tronco muito antigo e apodrecido.

E bota antigo nisso: as datações por radiocarbono indicam 400 milhões de anos, quando o planeta era habitado por microorganismos, fungos, algas, plantas simples como musgos, alguns pequenos animais marinhos e pouquíssimos animais terrestres, como insetos. 

Ao longo das décadas seguintes, os pesquisadores perceberam que o nome prototaxites era inapropriado, já que os fósseis não poderiam ter pertencido a nada próximo de um teixo. Agora, evidências de um novo estudo sugerem que ele pode pertencer a uma linhagem de vida completamente desconhecida – que teria florescido na Terra primitiva, e desaparecido sem deixar descendentes.

Os biólogos analisam características dos seres vivos que permitem localizá-los em uma grande árvore da vida – uma área do conhecimento chamada taxonomia. Os prototaxites são um enigma porque possuem características mistas de vários grupos. 

Eles eram formados por estruturas grandes e multicelulares compostas de vários tipos de tubos, e se alimentavam de matéria orgânica em decomposição, como alguns fungos. Por muito tempo, isso foi suficiente para classificá-los como fungos extintos. 

Um novo estudo analisa fósseis de prototaxites encontrados na Escócia. O chert de Rhynie é uma formação geológica protegida por um depósito vulcânico – por lá, as condições favorecem um nível de preservação excepcional, em que é possível estudar as paredes celulares individuais. 

Assim, os pesquisadores puderam observar grandes diferenças entre os prototaxites e os outros fungos da mesma época. As paredes celulares dos prototaxites eram completamente diferentes das dos fungos: não tinham quitina, quitosana ou beta-glucana, mas apresentavam sinais de compostos semelhantes à lignina, típica dos vegetais.

O novo estudo ainda não foi revisado por outros especialistas. Os pesquisadores afirmam que não há nenhuma linhagem conhecida de seres vivos que possuem essas três características – formação tubular, decomposição de carbono e estrutura de lignina. “Sugerimos que é melhor considerá-lo como membro de um grupo de eucariotas anteriormente não descrito e totalmente extinto”, escreveram no artigo, que está disponível na plataforma de pre-prints bioRxiv.

Em entrevista à revista New Scientist, o pesquisador Kevin Boyce, que ajudou a promover a hipótese de que os prototaxites seriam fungos em 2007, reconheceu a mudança: “Dadas as informações filogenéticas que temos agora, não há um bom lugar para colocar o prototaxites na filogenia dos fungos”, disse.

A possibilidade de que a Terra já tenha abrigado organismos completamente diferentes do que conhecemos hoje é uma reviravolta surpreendente. As “linhagens perdidas” instigam os cientistas sobre o quanto ainda há para se descobrir sobre a vida.

Fonte: abril

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