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Descoberta impactante: dezenas de esqueletos humanos decapitados em sítio arqueológico neolítico

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2026

A Linear Pottery Culture (em português, Cultura da Cerâmica Linear), ou simplesmente LBK, era uma comunidade de agricultores que ocupou partes da Europa durante o período Neolítico (10.000 a.C. a 3.000 a. C.). Eles descendiam dos primeiros grupos humanos que domesticaram animais e cultivaram plantas na Bacia dos Cárpatos, por volta de 5.500 a.C. Esses humanos se espalharam pela Europa Central ao longo dos séculos, chegando até o território da atual França.

O nome desse povo é uma referência às cerâmicas com desenhos lineares que eles produziam. A ciência ainda se esforça para compreender o estilo de vida, os hábitos e as práticas rituais desse da LBK – e os vestígios arqueológicos são fontes valiosíssimas de informação. Um dos principais sítios associados aos LBK fica próximo à cidade de Vráble, na Eslováquia, e foi descoberto em 2009.

Uma equipe de arqueólogos da Universidade de Kiel, na Alemanha, trabalha no local desde 2012 em parceria com pesquisadores eslovacos. Eles encontraram 313 casas agrupadas em três bairros, além de diversas pistas sobre a organização social e os meios de subsistência da comunidade.

Ao redor dos bairros existe um sistema de valas cuja função ainda é debatida pelos arqueólogos. Nessas grandes estruturas, já foram encontrados esqueletos humanos completos, alguns acompanhados de vasos de cerâmica, oferendas, lâminas e pedras, destacadas na foto abaixo:

Dois esqueletos humanos em uma cova rasa, com ossos expostos e parcialmente cobertos por terra. O esqueleto à esquerda está deitado de costas, com os braços estendidos. O esqueleto à direita está deitado de lado, com os braços dobrados. Pequenas pedras e marcadores cor-de-rosa pontuam o solo ao redor dos esqueletos, e setas brancas indicam alguns detalhes. O ambiente é de escavação arqueológica, com paredes de terra irregulares ao redor
(Cambridge University Press / K. Fuchs, M. Furholt, K. Furholt, N. Müller-Scheeßel/Divulgação)

Os pesquisadores tiveram uma surpresa em 2022, durante a escavação de um fosso duplo com 1,3 quilômetro de extensão em um dos bairros. A equipe encontrou um depósito em massa de esqueletos espalhados por duas valas. A diferença? Eles estavam sem cabeça.

Desde então, os arqueólogos vêm se dedicando à escavação do local e à análise dos restos mortais. O trabalho ainda não terminou. Até agora, 25 metros da vala já foram escavados, e vem mais pela frente.

Até o momento, a equipe encontrou 77 esqueletos decapitados em diferentes estados de conservação. Ao lado deles, havia apenas um esqueleto com cabeça, pertencente a uma criança posicionada entre os adultos. Fora isso, não encontraram nenhum crânio. O achado foi descrito em um estudo publicado em 2 de junho no periódico científico Proceedings of the Prehistoric Society.

A datação revelou que os restos mortais têm cerca de 7 mil anos, remontando ao Neolítico Inicial. Tudo indica que mais esqueletos podem surgir à medida que as escavações avançam.

Somando esses 78 indivíduos aos demais restos encontrados anteriormente, o sítio arqueológico já reúne vestígios de 112 indivíduos.

Os esqueletos aparecem em posições variadas: de bruços, de costas e até contorcidos. Além disso, sua distribuição ao longo das valas é bastante irregular, como mostra o esquema elaborado pela equipe:

Representação de um sítio arqueológico com fósseis de esqueletos em duas camadas. A camada inferior mostra os fósseis em tons de bege e marrom, incrustados na terra. A camada superior exibe os mesmos fósseis, mas coloridos em tons vibrantes como verde, vermelho, azul e amarelo, destacando suas formas. Uma bússola e uma escala de 5 metros estão na parte inferior direita
(Cambridge University Press / K. Fuchs, M. Furholt, K. Furholt, N. Müller-Scheeßel/Divulgação)

As análises indicam que as cabeças foram removidas de forma precisa, com o uso de ferramentas afiadas. Por isso, os pesquisadores consideram a hipótese de que se trate de uma prática ritual realizada após a morte, e não necessariamente de execuções violentas.

Agora, o desafio é descobrir por que esses indivíduos tiveram seus crânios removidos. As possibilidades incluem rituais funerários, sacrifícios ou práticas de caça de cabeças (tradição conhecida em diferentes culturas ao longo da história).

Para tentar responder a essas perguntas, novas análises dos ossos serão realizadas, enquanto as escavações continuam. A expectativa é encontrar mais esqueletos nas valas – ou, quem sabe, os crânios que desapareceram há sete mil anos.

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

Jornalista DRT 0003133/MT - O universo de cada um, se resume no tamanho do seu saber. Vamos ser a mudança que, queremos ver no Mundo