O deputado Gilson Marques (Novo-SC) apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para revogar a medida do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que permite à monitorar transações realizadas via Pix.
A norma Ă© regulamentada pela Instrução Normativa 2.219, de 2024, publicada em setembro do mesmo ano. Apenas movimentações acima de R$ 5 mil, no caso de pessoas fĂsicas, ou de R$ 15 mil, no caso de empresas, serĂŁo informadas Ă Receita.
Marques argumentou que a nova regra viola o “princĂpio constitucional da legalidade estrita e o direito fundamental ao sigilo bancário e Ă privacidade”.
O parlamentar tambĂ©m destacou que a “transferĂŞncia de dados sensĂveis de cidadĂŁos e empresas Ă Receita Federal exige debate amplo e aprovação pelo Congresso Nacional”.
“Tal discussĂŁo Ă© essencial para garantir transparĂŞncia, respeito Ă Constituição e equilĂbrio entre a necessidade de arrecadação tributária e a proteção de direitos fundamentais”, declarou Marques.
Para ser aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto precisa de 257 votos.
Na prática, o sistema teria como objetivo combater a sonegação fiscal de pessoas que utilizam meios digitais de pagamento.
Atualmente, nĂŁo existe imposto sobre o Pix. No entanto, esse meio de pagamento tem substituĂdo, nos Ăşltimos anos, as transações realizadas em dinheiro fĂsico no Brasil.
Antes disso, milhões de trabalhadores informais permaneciam fora do alcance da Receita Federal, pois recebiam exclusivamente em espécie. Essa situação persiste, mesmo com o uso do Pix.
Agora, todas as transações realizadas pelo Pix ficam registradas. Com o novo sistema, quem se enquadrar na faixa de renda sujeita ao pagamento do Imposto de Renda de Pessoa FĂsica (IRPF) vai ser identificado e cobrado.
Trabalhadores informais, como sorveteiros, pedreiros, eletricistas, faxineiros, diaristas, pintores e outros profissionais autĂ´nomos, que costumavam receber pagamentos em dinheiro, agora terĂŁo suas rendas registradas e associadas a seus CPFs.
O mesmo vai ocorrer com milhões de beneficiários do Bolsa FamĂlia que complementam a renda com trabalhos informais. Caso esses valores ultrapassem R$ 5 mil por mĂŞs, essas pessoas serĂŁo notificadas pela Receita Federal e poderĂŁo ser obrigadas a pagar impostos.
Fonte: revistaoeste





