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Defesa de Carlinhos Bezerra recorre ao STF e CNJ para impedir realização de júri popular

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2026

– A poucos dias da realização do Tribunal do Júri de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, a defesa intensificou a ofensiva jurídica para tentar impedir que o julgamento ocorra nesta sexta-feira (31), em Cuiabá.

Além de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado Elson Marcelino da Silva Junior informou que pretende levar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) questionamentos sobre a condução do processo.

Carlinhos responde pelo assassinato da ex-companheira, Thays Machado, e do namorado dela, Willian Moreno, mortos a tiros em janeiro de 2023, em frente ao edifício Solar Monet, na Capital.

O novo movimento da defesa ocorre após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso manter a juíza Mônica Perri à frente do caso e confirmar a participação subsidiária da Defensoria Pública durante o julgamento. A medida foi adotada depois que a banca de defesa deixou o plenário na sessão da semana passada, interrompendo o início do júri.

Em nota, Elson Marcelino afirmou que discorda da decisão que rejeitou o pedido para afastar a magistrada e também da nomeação preventiva da Defensoria Pública.

“Não concordamos com a decisão proferida pela MMª Juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, que rejeitou o incidente de suspeição suscitado por esta defesa e manteve a nomeação subsidiária da Defensoria Pública para o julgamento designado para 31 de julho de 2026, apesar de o acusado permanecer regularmente assistido por advogados de sua livre escolha, sem qualquer renúncia ao mandato”, declarou.

Segundo o advogado, a própria Defensoria Pública também contestou judicialmente sua inclusão no caso. No entanto, tanto o habeas corpus apresentado pela defesa de Carlinhos quanto o pedido formulado pela instituição foram rejeitados pelo juiz convocado Francisco Alexandre Ferreira Mendes. Com isso, o júri permanece marcado para sexta-feira, sob a condução da juíza Mônica Perri.

Após as decisões desfavoráveis na segunda instância, a defesa também protocolou pedido no Supremo Tribunal Federal. A ação foi distribuída ao ministro Luiz Fux, que ainda não analisou o requerimento.

No recurso, os advogados sustentam que houve cerceamento da defesa, alegam dificuldades para acessar integralmente os autos, apontam supostas falhas na cadeia de custódia das provas e afirmam que milhares de páginas de documentos teriam sido disponibilizadas às vésperas do julgamento, inviabilizando uma análise adequada do material. Diante desses argumentos, pedem a suspensão ou o adiamento da sessão do Tribunal do Júri.

Paralelamente, Elson Marcelino afirmou que pretende provocar o Conselho Nacional de Justiça para que sejam examinadas as medidas adotadas durante a tramitação do processo.

“Levaremos ao conhecimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a integralidade das medidas e posturas adotadas ao longo deste processo, para que sejam devidamente analisadas pelos órgãos de controle competentes”, afirmou.

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso, Carlinhos Bezerra teria cometido os homicídios motivado pela inconformidade com o fim do relacionamento com Thays Machado. A acusação sustenta que o crime foi praticado por motivo torpe, mediante recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e, em relação à ex-companheira, em contexto de violência doméstica e de gênero.

Ainda conforme a investigação, o acusado monitorava a rotina de Thays mesmo após o término da relação. Na manhã de 18 de janeiro de 2023, ela e Willian Moreno aguardavam um carro de aplicativo em frente ao condomínio onde ela morava, no bairro Consil, quando foram surpreendidos pelos disparos efetuados por Carlinhos, que estava dentro de um veículo. Ambos morreram no local.

Fonte: odocumento

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