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De sítio a coroa: a incrível jornada da Miss Cuiabá em busca do título de Miss MT

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2026

Antes de vestir a coroa e faixa de Miss Cuiabá 2026, Roberta Eduarda Kolodziey Moreira, de 21 anos, acordava com o canto do galo em São José do Rio Claro (MT) para enfrentar 45 km de estradas de terra e estudar, sem sequer imaginar que um dia representaria a capital por meio de sua beleza.

Filha caçula de 4 irmãos, criada na zona rural, transformou a determinação aprendida em casa em combustível para construir uma trajetória que hoje mistura concursos de miss, estudos, projetos sociais e agora sonha em ser Miss Mato Grosso.

Em entrevista ao Primeira Página, Roberta conta que nasceu e passou parte da infância em São José do Rio Claro, onde estudou em escolas do campo e cresceu cercada pela rotina típica de uma propriedade rural. A mãe, servidora pública da saúde rural, sempre trabalhou fora, enquanto o pai é prestador de serviços.

Chegou a morar em Tangará da Serra e, mais tarde, a família retornou para São José do Rio Claro, onde ela estudou em escolas dentro do Projeto de Assentamento (P.A) Campinas.

Foi nessa época que, durante 5 anos, percorreu cerca de 45 quilômetros, duas vezes por semana, para estudar inglês em uma escola de idiomas na cidade. A estrada, segundo ela, era de terra e transformava o trajeto em um desafio ainda maior durante os períodos de chuva ou seca.

“Há momentos em que pensei em desistir, pois, além da distância que percorria para fazer inglês, a estrada era de terra. Na seca, poeira; na chuva, barro e atoleiros. Mas aí eu pensava: só mais um pouco, só mais um pouco”, conta.

Do inglês, ao sonho de ir mais longe

Inicialmente, Roberta queria aprender japonês, mas como não havia essa opção em São José do Rio Claro, acabou escolhendo o inglês. O que começou como uma alternativa se transformou em uma habilidade que hoje considera fundamental.

Ela concluiu 5 anos de curso e se tornou fluente no idioma. A família chegou até a pagar um intercâmbio para Toronto, no Canadá, mas os planos foram interrompidos pela pandemia de Covid-19.

Para Roberta, estudar inglês tinha um significado que ia muito além das aulas. Era uma oportunidade que, segundo ela, não fazia parte da realidade financeira e logística da família.

Apesar dos desafios, a vida no campo também deixou lembranças afetivas. Entre elas estão os passeios a cavalo e até uma lembrança curiosa: os galos que não a deixavam dormir até mais tarde.

Na pré-adolescência, Roberta dizia que, quando fosse embora, seria independente e não sentiria falta daquela rotina. Mas a vida longe de casa mostrou o contrário.

Quando se mudou para Lucas do Rio Verde para estudar Biotecnologia no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), sentiu falta da família e do lugar onde havia crescido. “Eu adoraria ouvir aqueles galos novamente, pois lá era meu porto seguro”, conta.

A experiência no IFMT também trouxe uma nova etapa de amadurecimento. Longe dos pais, ela precisou aprender a resolver os próprios problemas, administrar a rotina e lidar com uma grade curricular extensa. “Aprendi a ser independente e a ser mais focada”, afirma.

Depois de se formar em Biotecnologia, Roberta chegou a sonhar em cursar Relações Internacionais. O curso, porém, seria oferecido presencialmente apenas longe de sua família, e ela decidiu seguir outro caminho.

Do sítio às passarelas

A entrada no universo dos concursos de beleza aconteceu quase por acaso. Roberta conta que nunca havia planejado ser miss. Desde pequena, porém, ouvia comentários de que tinha uma “beleza exótica” e perguntas sobre se era modelo. O próprio pai passou a incentivá-la a procurar uma agência.

Já morando em Cuiabá, ela conheceu por acaso Selma, mãe da Rainha de Bateria de Cuiabá. A mulher também percebeu potencial para a carreira de modelo.

Pouco tempo depois, Roberta viu no Instagram o anúncio do concurso Miss Cuiabá. Foi quando decidiu colocar a própria beleza à prova.

“Minha primeira experiência foi uma passarela em um parque com meu primeiro professor, Tom Veigas, que teve muito trabalho comigo pois não sabia nada, atualmente estou com o professor Marcelo Meneguine”, conta.

A preparação, no entanto, foi praticamente do zero no universo das passarelas: precisou aprender postura, caminhada, aulas de passarela, academia, oratória e alimentação saudável, tudo isso enquanto continuava frequentando a faculdade.

A resposta veio com a conquista do título de Miss Cuiabá 2026.

Do anonimato à rotina de eventos

Depois da conquista, a rotina mudou completamente. “Minha vida virou uma loucura”, resume.

A nova Miss Cuiabá passou a fechar parcerias com salões, profissionais de cabelo e unhas, maquiadores e lojas de roupas. Também começou a participar de eventos, gravar publicidades e circular com a faixa em diferentes lugares.

A exposição, entretanto, também trouxe críticas. Roberta conta que algumas pessoas questionaram o fato de ela carregar a faixa para praticamente todos os lugares. A resposta vem com uma frase simples: “Mas este não é o papel de Miss?”

Para ela, estar presente faz parte da função. “Quem não é visto não é lembrado”, afirma.

Beleza com propósito

A visibilidade conquistada também passou a ser usada por Roberta em ações sociais e filantrópicas. Ela afirma que costuma se envolver com causas quando é convidada, especialmente iniciativas relacionadas ao tratamento do câncer e ao combate ao bullying.

“Todas as causas que possam amenizar o sofrimento das pessoas são muito significantes para mim”, diz.

Para a jovem, o título não representa apenas beleza ou passarela, mas também uma oportunidade de levar sua imagem para diferentes espaços e representar pessoas.

Próximo desafio já começou

Hoje, Roberta concilia a carreira de miss com a graduação em Fonoaudiologia. Enquanto administra a agenda de eventos, faculdade e compromissos como Miss, já encara um novo desafio: atualmente, disputa o título de Miss Mato Grosso.

O objetivo é chegar ainda mais longe e representar crianças e adolescentes do estado. Paralelamente, mantém planos profissionais e pessoais. Quer concluir a graduação, tornar-se uma excelente profissional e atuar também na área filantrópica.

“Crie a sua própria história. Se você tem um sonho, só caminhe para ele, independentemente do que esteja vivendo. Se tiver garra e determinação, você consegue”, aconselha.

Fonte: primeirapagina

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