A presidência brasileira da COP30 trabalha para concluir, até novembro, dois mapas estratégicos voltados ao fim do desmatamento global e à transição dos combustíveis fósseis. As iniciativas são consideradas centrais para acelerar a redução das emissões de gases de efeito estufa e fortalecer a implementação dos compromissos internacionais sobre o clima.
Segundo o embaixador André Corrêa do Lago, que lidera os trabalhos no âmbito das Nações Unidas, os documentos serão apresentados de forma gradual ao longo do ano. O objetivo é ampliar consultas com governos, setor privado, organizações da sociedade civil e comunidade científica. A chamada global para envio de contribuições segue aberta até o dia 31 de março.
Os dois mapas do caminho representam as principais prioridades da presidência brasileira antes da próxima conferência climática, prevista para novembro, em Antália, na Turquia. A proposta é dar continuidade aos legados da COP realizada em Belém, marcada pela transição da fase de negociação para uma etapa mais focada na implementação das ações climáticas.
No caso da transição energética, o plano busca orientar a aplicação da decisão aprovada na COP28, em Dubai, que estabelece a necessidade de reduzir gradualmente a dependência de combustíveis fósseis. A estratégia brasileira pretende equilibrar ambição climática e viabilidade política, diante das dificuldades de consenso entre os países.
Além das medidas sobre emissões, o Brasil também trabalha na estruturação de um plano para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático para países em desenvolvimento. O novo documento deve detalhar melhor as fontes de recursos e aprimorar estimativas, com o objetivo de aumentar a transparência e a confiança nas negociações internacionais.
Outra frente em discussão é o chamado “Acelerador”, iniciativa voltada a impulsionar a implementação do Acordo de Paris e ampliar a efetividade das decisões adotadas nas conferências. O modelo ainda está em desenvolvimento, em parceria com futuras presidências da COP.
O embaixador destaca que os desafios para avançar na agenda climática estão ligados, principalmente, ao impacto econômico e geopolítico das mudanças no setor de energia. A ausência de consenso global sobre o tema e as diferentes estratégias adotadas por grandes economias dificultam decisões mais rápidas.
Para a presidência brasileira, o foco até o fim do mandato será consolidar o legado da COP30, fortalecendo a Agenda de Ação, ampliando iniciativas de adaptação e garantindo que a conferência de Belém seja reconhecida como um marco na transição da negociação para a execução de políticas climáticas.
Fonte: cenariomt






