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Cuba enfrenta grave crise energética, impactando a rotina da população

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A população de Havana vive o que moradores descrevem como o período mais difícil das últimas décadas em Cuba. A crise energética, agravada pelo endurecimento das restrições dos Estados Unidos ao fornecimento de petróleo, tem provocado apagões prolongados, aumento no custo de alimentos e impactos em serviços essenciais.

Relatos indicam que as interrupções de energia, antes programadas, tornaram-se imprevisíveis e mais longas. Em alguns casos, os cortes chegam a ultrapassar 12 horas. No interior do país, a falta de eletricidade pode durar quase o dia inteiro, dificultando a conservação de alimentos e a rotina das famílias.

A escassez de combustível afeta diretamente a economia e o funcionamento da cidade. Bombas de água deixam de operar durante os apagões, serviços bancários e administrativos são interrompidos e a telefonia e a internet sofrem instabilidade.

Ao mesmo tempo, moradores relatam uma alta acelerada nos preços de itens básicos como arroz, óleo e frango. A redução na oferta da cesta básica subsidiada pelo Estado também contribui para o aumento da pressão sobre o orçamento das famílias.

A crise se intensificou no final de janeiro, quando o governo norte-americano passou a ameaçar com tarifas países que exportassem petróleo para a ilha e classificou o país como uma ameaça à segurança nacional. Como cerca de 80% da energia cubana é gerada por termelétricas dependentes de combustíveis, a medida reduziu ainda mais a capacidade de importação.

Especialistas e moradores avaliam que o cenário atual é mais severo do que o chamado “período especial” dos anos 1990, quando o país perdeu seus principais parceiros comerciais após o fim do bloco soviético. Além das dificuldades materiais, a incerteza sobre o futuro tem aumentado o desgaste social.

O transporte público é outro setor fortemente impactado. A falta de combustível reduziu linhas urbanas e viagens intermunicipais. Em alguns casos, ônibus operam apenas uma vez pela manhã e outra à tarde, enquanto trens e rotas nacionais passaram a circular com menor frequência. O transporte privado também ficou mais caro, limitando a mobilidade.

Na área da saúde, a escassez de energia e combustível dificulta o deslocamento de profissionais e contribui para o cancelamento de consultas, priorizando atendimentos de emergência. A falta de medicamentos é apontada como um dos principais desafios, levando parte da população a recorrer ao mercado informal ou a familiares no exterior.

Embora a educação básica continue funcionando, em geral por estar localizada próxima às residências, outras atividades dependem da infraestrutura energética. Ainda assim, centros culturais e programas gratuitos mantêm parte das ações, oferecendo alternativas de lazer e formação.

Analistas apontam que a deterioração econômica começou a se intensificar durante a pandemia de covid-19, que reduziu drasticamente o turismo, principal fonte de receitas do país. O cenário foi agravado por sanções adicionais impostas nos últimos anos, incluindo medidas que limitam a exportação de serviços médicos.

Para muitos moradores, o principal objetivo diário passou a ser garantir alimentação e itens básicos para a família. Apesar das dificuldades, relatos indicam que não há mobilização significativa nas ruas, enquanto cresce entre os jovens o desejo de emigrar em busca de melhores condições de vida.

Fonte: cenariomt

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