Levantamento do Censo da Educação Superior 2024 revela que 49% dos estudantes que ingressaram por meio de cotas em universidades federais e institutos federais concluíram a graduação. O índice supera o registrado entre os não cotistas, que ficou em 42%.
Os dados, organizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), indicam que a maioria dos alunos beneficiados por políticas de ações afirmativas consegue concluir seus cursos e obter diploma, reforçando a eficácia dessas iniciativas.
Entre 2013 e 2024, mais de 1,4 milhão de estudantes ingressaram em instituições federais por meio da reserva de vagas, ampliando o acesso de grupos historicamente excluídos do ensino superior. Apenas em 2024, foram registrados 133.078 ingressos nessa modalidade.
A maior parte das matrículas ocorreu nas universidades federais, que concentraram 110.196 alunos cotistas, enquanto outras 22.587 vagas foram ocupadas em instituições da rede federal de educação profissional e tecnológica.
Programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) também contribuíram para a inclusão. Desde a criação desses mecanismos, cerca de 2 milhões de cotistas ingressaram no ensino superior.
No Sisu, mais de 790 mil estudantes acessaram universidades públicas por meio da Lei de Cotas, sendo 307.545 apenas entre 2023 e 2026. Já o Prouni, pioneiro nas ações afirmativas, beneficiou mais de 1,1 milhão de estudantes desde 2005, especialmente entre pessoas autodeclaradas pretas, pardas, indígenas e com deficiência.
Em 2024, o Fies passou a incluir vagas destinadas a cotistas, garantindo o ingresso de 29,6 mil estudantes de grupos prioritários, incluindo quilombolas.
A legislação de cotas foi atualizada em 2023, com a criação de vagas específicas para quilombolas e a ampliação do acesso para estudantes de baixa renda. O limite de renda familiar per capita foi reduzido para um salário mínimo, ampliando o alcance da política.
Outro ponto mantido foi a exigência de que os candidatos tenham cursado todo o ensino médio em escola pública, medida que busca refletir a diversidade da educação básica nas universidades. A nova legislação também passou a incluir escolas comunitárias do campo conveniadas ao poder público.
Os resultados reforçam que as políticas de inclusão têm contribuído não apenas para ampliar o acesso, mas também para garantir a permanência e a conclusão dos estudos no ensino superior federal.
Fonte: cenariomt





