Os Correios abriram um novo plano de demissão voluntária (PDV) com a expectativa de alcançar até 7 mil funcionários e adesões válidas até setembro. A medida faz parte do plano de reestruturação da estatal, que tenta conter a grave crise financeira que já atinge um prejuízo bilionário apenas neste ano.

Diferentemente do primeiro PDV lançado no primeiro semestre [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/correios-buscam-10-mil-demissoes-em-novo-plano-de-desligamento/], a direção dos Correios não estabeleceu uma meta de adesões para a nova rodada. O programa será direcionado exclusivamente a funcionários de unidades que serão extintas, incluindo centros de tratamento e armazenamento de cargas e agências.

“A medida foi concebida para atender às adequações e particularidades decorrentes do processo de reestruturação da empresa. As estimativas de adesão e os impactos financeiros estão contemplados nos estudos e nas projeções econômicas divulgados anteriormente”, disse a estatal em nota.

No primeiro PDV, lançado em fevereiro e encerrado em março, cerca de 3,1 mil funcionários aderiram ao programa [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/correios-tentarao-mais-um-plano-demissao-voluntaria-reduzir-rombo/], diante de uma meta de 10 mil desligamentos. Mesmo com a adesão abaixo do esperado, a estatal afirma ter alcançado uma economia equivalente a 45% da meta de R$ 1,4 bilhão prevista inicialmente.

O novo plano terá um incentivo financeiro calculado conforme a situação de cada empregado, levando em conta tempo de serviço, idade, adicionais por aposentadoria e incorporação. Segundo os Correios, a indenização:

Os Correios registraram um prejuízo de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre deste ano, resultado 82,35% superior ao apurado no mesmo período de 2025. Para 2026, a expectativa é de um prejuízo próximo de R$ 10 bilhões.

O resultado de 2025 também foi negativo em nível recorde, com prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/prejuizo-dos-correios-triplica-e-chega-a-r-85-bilhoes-em-2025/], mais de três vezes o déficit de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024. A queda das receitas e o aumento das obrigações judiciais estão entre os fatores apontados para a deterioração das contas.

O plano prevê ainda a venda de imóveis, com potencial de arrecadação de R$ 1,5 bilhão, e o fechamento de até mil pontos de atendimento deficitários. Dos cerca de 10 mil pontos existentes, 7 mil são próprios ou franqueados, e 85% eram considerados deficitários em relatório da companhia de 2024.

A reestruturação também inclui medidas para reduzir despesas e melhorar o caixa, como a negociação com fornecedores que teria gerado economia de R$ 321 milhões. A estatal ainda negociou o pagamento de R$ 702 milhões em precatórios até dezembro e parcelou R$ 2,5 bilhões em tributos em 60 vezes.

O plano é dividido em três etapas – recuperação financeira, consolidação e crescimento – e prevê redução do déficit em 2026 com retorno à lucratividade em 2027. Os Correios também contam com um empréstimo de R$ 12 bilhões concedido por bancos com garantia do Tesouro para cobrir parte das necessidades financeiras enquanto executam as medidas de reestruturação.