A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) entrou nesta segunda-feira (24) em sua última semana de negociações, em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Os quatro dias finais foram organizados em eixos temáticos para acelerar as discussões e buscar acordos entre as delegações.
O tema central desta segunda-feira é o financiamento para restauração de solos e enfrentamento da seca. Apesar de novos anúncios de recursos, os valores ainda estão distantes da necessidade estimada pelas Nações Unidas.
Os novos compromissos financeiros chegam a US$ 1,3 bilhão, enquanto especialistas da ONU calculam um déficit anual de aproximadamente US$ 278 bilhões para atender à demanda global.
A secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Yasmine Fouad, defendeu maior participação dos setores público e privado. Segundo ela, o objetivo é transformar o financiamento em investimento capaz de beneficiar populações, economias e ações preventivas.
Pastagens concentram maior anúncio
As pastagens estão entre as principais prioridades econômicas da COP17. Esses ecossistemas ocupam mais da metade da superfície terrestre e são essenciais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas.
Em parceria com o governo da Mongólia, a UNCCD lançou a Rangelands Flagship Initiative, que reúne uma carteira de 45 projetos avaliada em US$ 1,2 bilhão. De acordo com os organizadores, é a maior mobilização financeira da história da Convenção destinada especificamente a esses ecossistemas.
A iniciativa busca conservar, administrar de forma sustentável e restaurar pastagens e terras secas em diferentes regiões do mundo. Na Mongólia, a preservação das estepes tem relação direta com a sobrevivência de comunidades que dependem da criação de animais.
Para Pablo Munõz, especialista em economia ambiental do Mecanismo Global da UNCCD, o tamanho do déficit financeiro exige novas alternativas para atrair investimentos. Entre as possibilidades discutidas estão recursos públicos para reduzir riscos de investidores privados, garantias, capital de primeira perda, seguros e novos modelos de negócios.
Atualmente, o setor privado representa cerca de 6% do financiamento global destinado à restauração de terras. Para ampliar essa participação, a UNCCD anunciou a rede de centros nacionais Business4Land, criada para aproximar empresas, governos e investidores.
Sarah Toumi, especialista em sustentabilidade do Mecanismo Global da UNCCD, afirmou que as empresas começam a reconhecer que a degradação ambiental também representa uma ameaça econômica.
Segundo ela, setores como agricultura, moda e alimentos dependem diretamente da qualidade do solo e da disponibilidade de água. A proposta é que as empresas passem a avaliar seus impactos sobre a terra e incorporem a recuperação ambiental às estratégias de negócios.
Prevenção ganha espaço na agenda
A COP17 também busca aumentar os investimentos destinados à preparação para períodos de seca. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) anunciou um programa integrado de gestão de terras, com previsão inicial de US$ 140 milhões.
A iniciativa pretende ajudar os países a reduzir a dependência de medidas emergenciais e ampliar ações de prevenção, monitoramento e planejamento. A proposta foi apresentada como uma forma de fortalecer a capacidade de resposta antes que os períodos de seca evoluam para desastres.
Ulrich Appel, representante do GEF, explicou que o programa deverá apoiar planejamento nacional mais estruturado, soluções baseadas na natureza e investimentos voltados ao aumento da resiliência.
*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.
Fonte: cenariomt





