Saúde

Complicações na gravidez: um fator na extinção dos neandertais

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Por um período de pelo menos 10 mil anos, a nossa espécie (Homo sapiens) e os Homo neanderthalensis, nossos irmãos evolutivos mais próximos, coexistiram na Terra. Daí, há mais ou menos 40 mil anos, após um longo período de quedas populacionais, eles desapareceram de vez, e só sobrou a gente.

Os motivos que levaram o Homem de Neandertal à extinção, porém, são difíceis de saber, e continuam em discussão até hoje. As poucas evidências às quais cientistas têm acesso dão os contornos de um cenário que, pela soma dos fatores, mais parece ter sido uma maré de má sorte: mudanças climáticas, conflitos com os sapiens, isolamento extremo de suas comunidades, endogamia, quedas de fertilidade e até um tipo sanguíneo que favorecia uma doença fatal entre recém-nascidos – todas essas coisas podem ter pesado para que os neandertais, como espécie, fossem dessa pra melhor.

Agora, pesquisadores estão propondo mais um possível fator que pode ter contribuído para o sumiço dos neandertais: pré-eclampsias e eclâmpsias, complicações graves que podem acontecer durante a gravidez. Segundo os especialistas, a falta, nos neandertais, de um mecanismo de “salvaguarda” da gravidez humana, que protege o corpo das mães em casos de gestações de risco, pode ter aumentado as chances de complicações fatais.

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O estudo foi publicado no final de janeiro, no Journal of Reproductive Immunology. Nele, os pesquisadores compararam registros médicos atuais com o DNA neandertal, e identificaram certas diferenças genéticas que poderiam ter levado à ausência desse mecanismo. Apontam também que uma variedade genética limitada dentro das pequenas comunidades de neandertais pode ter agravado ainda mais esse cenário.

O que é pré-eclâmpsia e eclâmpsia

Conhecida também como a “maldição da reprodução humana”, a pré-eclâmpsia é a primeira doença da qual se há registro na história escrita. Documentada pela primeira vez há mais de 5 mil anos, ela é – como sugere o apelido – um problema particularmente humano. Exclusivamente humano, na verdade: sendo resultado direto dos nossos cérebros grandes, nenhuma outra espécie da natureza apresenta essa doença.

Durante a gestação, a placenta – o órgão temporário que abriga o feto dentro do corpo da mãe – retira a energia necessária para manter o bebê vivo da própria corrente sanguínea da mãe. Para isso, ela invade a parede uterina e redireciona as artérias maternas.

Contudo, no decorrer da evolução, o crescimento de nossos cérebros veio acompanhado de uma demanda cada vez maior por energia, e, na gravidez, isso se traduziu por uma demanda ainda maior pelo sangue materno por parte do cérebro do bebê.

Enquanto, em outros mamíferos, cerca de 20% do sangue que circula pelo corpo do feto vai para o cérebro, no caso dos seres humanos, esse número salta para 60%. Consequentemente, em humanos, essa invasão feita pela placenta é particularmente profunda, e chega a ocupar até um terço do músculo uterino.

O problema começa quando a placenta não consegue se infiltrar fundo o suficiente na parede uterina, falhando em redirecionar as artérias da mãe para o feto. Nesse caso, o fluxo sanguíneo é reduzido, e detritos microscópicos caem no sangue da mãe, como um sinal de alerta.

O corpo da mãe então reage, aumentando a pressão sanguínea, o que pode danificar os órgãos. Essa falha nós chamamos de pré-eclâmpsia. Ela acomete entre 2% a 8% das gestações em todo o planeta, e é a principal causa de mortes durante a gravidez – por ano, cerca de 70 mil mães e 500 mil fetos são vitimados pela doença.

Sua falha final, a eclâmpsia, acontece quando a pressão elevada causa, na mãe, crises convulsivas – e afeta cerca de 1% das gestações. Até hoje, o único tratamento conhecido para essas condições é o próprio parto, geralmente prematuro, junto com a remoção da placenta.

Por um acaso evolutivo, porém, o corpo humano calhou de desenvolver uma “salvaguarda”, um mecanismo de proteção contra a pré-eclâmpsia que por vezes ignora os sinais de estresse enviados ao sangue e impede o aumento da pressão sanguínea. Assim, o bebê pode até nascer menor e menos desenvolvido, porém o corpo da mãe permanece saudável.

Na falta de uma salvaguarda

No estudo, os pesquisadores também calcularam o quão maiores seriam os efeitos dessa doença na humanidade se, hoje, essa salvaguarda não existisse. Nesse cenário, a pré-eclâmpsia acometeria entre 10% e 20% das gestações, enquanto a eclâmpsia afetaria entre 4% e 5%. No fim das contas, a fatalidade entre as mães de primeira viagem (as mais afetadas pela doença) ficaria entre 3% e 4%.

Com base nisso, os autores levantam a possibilidade de que a falta desse mecanismo de proteção nos corpos dos neandertais poderia ter contribuído para o aumento das mortes durante a gravidez, e, portanto, uma redução demográfica.

Comparando as características do DNA de neandertais com o de nossa espécie, os pesquisadores apontam divergências genéticas que poderiam ter levado a essa ausência. Faltam evidências, porém, de que as taxas de pré-eclâmpsia e eclâmpsia de fato foram maiores em neandertais.

Agora, de acordo com os pesquisadores, o próximo passo é testar e descobrir se essas variações genéticas específicas realmente gerariam os sinais inflamatórios associados com essas condições. Ainda assim, os autores enfatizam o quão surpreendente é o fato de que a pré-eclâmpsia, com seus mais de 5 mil anos de história documentada, nunca foi levada em consideração em estudos sobre a extinção dos neandertais.

“Infelizmente, em grande parte devido à compartimentalização das disciplinas científicas, tem havido uma notável falta de diálogo entre médicos e (paleo)antropólogos a respeito da pré-eclâmpsia/eclâmpsia, a principal complicação da gestação humana. É particularmente surpreendente (até mesmo extraordinário) que esse distúrbio reprodutivo exclusivamente humano, que pode ter representado uma ameaça significativa à sobrevivência de Homo sapiens, jamais tenha sido seriamente considerado nas hipóteses sobre a biologia reprodutiva dos neandertais e sua eventual extinção”, escrevem.

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Fonte: abril

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