Por trás das imagens de satélite que apontam o avanço das queimadas em Mato Grosso, existe uma diferença técnica importante entre o que o computador mapeia e o que é, de fato, uma queimada fora de controle.
O chamado “foco de calor” indica apenas que o satélite captou uma alta de temperatura no solo — o incêndio florestal propriamente dito costuma ser confirmado quando vários desses pontos aparecem aglomerados em uma mesma área.
A distinção é essencial para direcionar as equipes em campo, mas o combate esbarra também em barreiras de jurisdição.
Por que o Corpo de Bombeiros não entra nas Terras Indígenas?
Mesmo quando os mapas de satélite mostram dezenas de focos de calor em áreas como o Parque do Xingu ou a Terra Indígena Areões, as equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) não podem atuar diretamente no combate sem autorização prévia.
Por se tratarem de territórios federais, a responsabilidade legal de combater o fogo dentro das reservas cabe exclusivamente a órgãos do Governo Federal, como o Ibama, o Prevfogo e a Funai. A menos que haja um pedido formal de cooperação ou risco iminente de o fogo invadir propriedades privadas e vilas vizinhas, o Estado fica impedido de intervir.
10 cidades de Mato Grosso já tiveram grandes incêndios debelados
Enquanto acompanham o monitoramento nas reservas, os bombeiros concentram esforços nas áreas estaduais e municipais. Desde que entrou em vigor o período proibitivo para o uso do fogo — fase mais seca do ano em que qualquer queimada é considerada crime ambiental —, o CBMMT conseguiu debelar e extinguir incêndios em pelo menos dez municípios:
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Região Sul e Sul-Leste: Dom Aquino e Guiratinga.
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Médio-Norte e Chapada: Nova Maringá e Chapada dos Guimarães.
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Norte e Araguaia: Canarana, Colniza, Guarantã do Norte, Paranatinga, Ribeirão Cascalheira e São Félix do Araguaia.
As equipes permanecem em alerta com o avanço da estiagem, reforçando que denúncias de queimadas irregulares podem ser feitas pelo telefone 193.
Fonte: cenariomt





