Saúde

Como o Exercício Físico Melhora a Saúde Cerebral: A Importância da Prescrição de Atividades Físicas

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word3

A prática de exercícios físicos pode ter um papel mais importante na medicina do que simplesmente servir como recomendação para uma vida saudável. Pesquisadores de universidades canadenses defendem que a atividade física seja prescrita como parte do tratamento para preservar e melhorar a saúde cerebral.

Em artigo publicado nesta terça-feira (3) na revista científica Brain Health, Carl Zhou e Nicholas Fabiano, da Universidade de Ottawa, e Stanley Wong, da Universidade de Toronto, argumentam que os exercícios precisam receber o mesmo reconhecimento destinado a outras intervenções médicas.

Para os pesquisadores, a atividade física não deve ser apresentada apenas como uma sugestão durante as consultas. A proposta é que os profissionais de saúde indiquem modalidades, frequência, intensidade e duração dos exercícios, além de considerar possíveis riscos e acompanhar os resultados.

Os autores explicam que a saúde cerebral envolve o funcionamento cognitivo, emocional, comportamental e social ao longo da vida. Nesse contexto, os exercícios físicos podem contribuir para diferentes aspectos do organismo, incluindo a circulação sanguínea, o equilíbrio metabólico, o controle de processos inflamatórios e a neuroplasticidade, capacidade de adaptação do cérebro.

Exercícios físicos podem melhorar a memória

O artigo reúne resultados de diferentes pesquisas para demonstrar os efeitos da atividade física sobre o cérebro. Entre os exemplos citados está um ensaio clínico publicado em 2011, realizado com adultos mais velhos.

O estudo identificou que a prática de exercícios aeróbicos aumentou o volume do hipocampo anterior, região cerebral importante para a formação e a recuperação de memórias. O resultado indica uma possível contribuição da atividade física para a preservação das funções cognitivas durante o envelhecimento.

Segundo Carl Zhou, os estudos analisados reforçam a necessidade de transformar a recomendação genérica de exercícios em uma orientação médica estruturada.

As evidências apoiam uma prescrição que determine o tipo de atividade, a frequência, a intensidade, a duração, os cuidados de segurança e o acompanhamento, de maneira semelhante ao que acontece com um medicamento, afirmou o pesquisador.

Atividade física também ajuda na saúde mental

Os benefícios apontados pelos pesquisadores não se limitam à memória. De acordo com o artigo, intervenções com exercícios físicos também podem contribuir para reduzir sintomas de depressão, ansiedade e sofrimento psicológico, além de melhorar indicadores relacionados ao risco de suicídio.

Uma análise de ensaios clínicos publicada em 2024 identificou que atividades como caminhada, corrida, ioga e treinamento de força ajudaram a diminuir os sintomas depressivos. Os maiores resultados foram observados, em geral, nas modalidades praticadas com intensidade mais elevada.

O trabalho também destaca a importância dos exercícios para pessoas com esquizofrenia e outros transtornos mentais graves. Segundo os pesquisadores, esses grupos apresentam índices elevados de sedentarismo, problemas cardiometabólicos e mortalidade prematura.

Stanley Wong ressalta que a atividade física pode oferecer benefícios simultâneos para diferentes dimensões da saúde de pessoas com esquizofrenia, incluindo sintomas psiquiátricos, capacidade cognitiva e condições físicas.

Na esquizofrenia, o exercício pode atuar nos sintomas psiquiátricos, na cognição e na saúde física ao mesmo tempo, em uma população que apresenta necessidades importantes nessas três áreas, destacou Wong.

OMS recomenda atividade física semanal

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana. Outra possibilidade é realizar de 75 a 150 minutos de exercícios vigorosos no mesmo período.

As orientações também incluem atividades de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.

Entretanto, os pesquisadores alertam que pessoas que enfrentam depressão podem ter dificuldades para começar a se exercitar devido à falta de energia e motivação. Por isso, a recomendação é estabelecer metas pequenas e compatíveis com as condições de cada indivíduo.

Uma caminhada de cinco minutos, exercícios realizados sentado em uma cadeira ou atividades cotidianas, como passear com o cachorro, podem representar o início de uma rotina mais ativa.

Nicholas Fabiano, da Universidade de Ottawa, destaca que o primeiro passo não precisa ser intenso ou complexo. Segundo ele, a repetição de pequenas conquistas ajuda a desenvolver confiança e transformar o movimento em um hábito duradouro.

As conclusões reforçam a importância de considerar os exercícios físicos como parte das estratégias de prevenção e tratamento, com orientações individualizadas e acompanhamento profissional.

Com informações da Agência Brasil.

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.