A pandemia da covid-19 marcou uma virada no empreendedorismo dentro das comunidades brasileiras. Levantamento do instituto Data Favela revela que 56% dos negócios em favelas começaram a funcionar a partir de fevereiro de 2020, período em que a crise sanitária e econômica se espalhou pelo país.
Um exemplo desse movimento é o da designer Ligia Emanuel da Silva, que abriu um pequeno negócio no território potiguara, em Rio Tinto, no litoral norte da Paraíba. Durante a pandemia, ela passou a produzir e vender acessórios inspirados na cultura e na ancestralidade africana. O empreendimento nasceu de forma artesanal, com materiais simples, e hoje representa não apenas uma fonte de renda, mas também uma expressão cultural.
Segundo a pesquisa, 12% dos negócios foram criados entre fevereiro de 2020 e abril de 2022, fase mais crítica da crise sanitária. Outros 44% surgiram a partir de maio de 2022, após o fim do estado de emergência em saúde pública.
O estudo ouviu mil empreendedores de favelas em todas as regiões do Brasil, entre outubro e novembro de 2025. Os dados mostram que 51% dos entrevistados faturam até R$ 3.040 por mês, valor equivalente a dois salários mínimos da época. Apenas 5% declararam receita mensal acima de R$ 15,2 mil.
Apesar do faturamento, o levantamento alerta que ele não representa necessariamente lucro. Mais da metade dos negócios gasta até R$ 3.040 por mês para se manter, o que indica equilíbrio apertado entre receitas e despesas.
Em relação ao investimento inicial, 37% dos empreendedores começaram com até R$ 1.520, enquanto 23% investiram até R$ 3.040. Apenas 9% aplicaram valores superiores a R$ 15,2 mil. A principal fonte de recursos foram economias próprias ou da família, citadas por 57% dos entrevistados.
A administração dos negócios ainda é majoritariamente informal. Quase 60% controlam receitas e despesas em cadernos e 13% não fazem qualquer tipo de registro. O uso de planilhas aparece em 24% dos casos.
Na divulgação, as redes sociais têm papel central. A maioria utiliza aplicativos de mensagens e plataformas digitais para alcançar clientes, embora 34% ainda dependam exclusivamente do boca a boca.
As áreas com maior concentração de empreendimentos nas favelas são alimentação e bebidas (45%), seguidas por moda, beleza e artesanato. Entre as motivações para empreender, destacam-se o desejo de independência financeira, a necessidade econômica e a falta de oportunidades no mercado formal de trabalho.
Os principais desafios apontados pelos empreendedores são a falta de capital e a dificuldade de acesso ao crédito. Ainda assim, os negócios desempenham papel relevante na economia local, estimulando o consumo dentro das próprias comunidades.
De acordo com o Data Favela, as favelas brasileiras movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano. Esse volume reforça a importância dos pequenos empreendimentos para a geração de renda e para o fortalecimento econômico desses territórios.
Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que 8% da população brasileira vive em favelas, distribuídas em mais de 12 mil comunidades espalhadas por 656 municípios. A maioria dos moradores é composta por pessoas pretas e pardas, e as mulheres representam mais da metade dessa população.
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Fonte: cenariomt






