Saúde

Cocô fossilizado de 700 mil anos revela dieta surpreendente de esquilos: mamutes eram parte do cardápio

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2026

No começo do século 20, exploradores descobriram que havia muito mais do que ouro nos morros de Yukon, no Canadá. A terra congelada revela fósseis espetaculares: peles preservadas de mamutes, ossos de tigres-dente-de-sabre e outros animais extintos há milhares de anos. 

O solo também escondia muitos túneis e tocas subterrâneas de esquilos pré-históricos, mas eles estavam lotados de cocô. Com tantos outros achados interessantes por perto, ninguém deu muita atenção. Agora, com os avanços nas tecnologias científicas de pesquisa de DNA, pesquisadores voltaram a procurar pelos cocôs fossilizados de Yukon.

Talvez você nunca tenha parado para pensar que todos os seres vivos da Terra têm DNA – incluindo vegetais, fungos, animais grandes e minúsculos. Quando comemos, o DNA de vários seres vivos vai parar na nossa pança. E, a depender do impacto dos processos digestivos na integridade dos alimentos, pode ser possível obter detalhes da dieta de alguém a partir de amostras de… excrementos.

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Ao estudar as bolinhas de cocô de esquilos-do-ártico (Urocitellus parryii) que viveram entre 300 mil e 700 mil anos atrás, pesquisadores constataram que eles tinham uma dieta diversificada. Em geral, eles são animais de alimentação oportunista: comem plantas, fungos, insetos e, tendo a chance, até carne. 

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Nature Communications e apontam que, nos cocôs, havia amostras de DNA de mamutes, bisões e tigres-dente-de-sabre.

Parece um roteiro da franquia de filmes a Era do Gelo: com uma armadilha engenhosa, um pequeno esquilo vence as adversidades de uma terra congelada e consegue abater um mamute milhares de vezes maior que si. Ele e os amigos esquilos fazem um banquete alegre – e, se a franquia fosse outra, eles poderiam até cantar para comemorar.

Mas a realidade, é claro, provavelmente foi bem diferente. É mais provável que os animais se alimentassem de carcaças, talvez em busca do precioso cálcio encontrado nos ossos.

“Os esquilos hibernam por cerca de oito meses do ano, e nos quatro meses em que estão conscientes, eles realmente precisam sair, comer e trazer o máximo de recursos que conseguirem para dentro da toca”, disse Tyler Murchie, coautor do estudo, em entrevista ao New Scientist.

O DNA dos excrementos também permitiu identificar os genomas de 18 outras espécies, incluindo cavalos e lobos-cinzentos. Com o recente aquecimento global, o permafrost de várias regiões está derretendo e revelando verdadeiras cápsulas do tempo dos ecossistemas antigos.

Os pesquisadores correm para estudar e preservar o máximo possível. Afinal, essas informações revelam como foi a vida na Terra ao longo do tempo, e podem ser parte importante de estudos sobre o clima, a biologia e a ecologia atuais.

“Às vezes, a ciência é melhor quando pega algo comum, estranho ou até engraçado, e mostra que aquilo guarda uma história muito maior”, disse Murchie em entrevista ao Popular Science. “Nesse caso, cocô de esquilo pode acabar sendo uma janela para o tempo muito distante, mudanças climáticas, extinções, evolução e ecossistemas que não existem mais.”

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

Jornalista DRT 0003133/MT - O universo de cada um, se resume no tamanho do seu saber. Vamos ser a mudança que, queremos ver no Mundo