Dourados enfrenta um avanço preocupante de casos de chikungunya, especialmente nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó. De acordo com boletim epidemiológico divulgado neste sábado (21), já são 546 casos confirmados da doença na cidade, com 1.099 notificações registradas e 380 ainda em investigação.
A situação é ainda mais grave nas comunidades indígenas, onde já foram confirmadas quatro mortes por chikungunya, todas de indígenas.
As vítimas são uma idosa de 69 anos, um homem de 73 anos, um bebê de três meses e uma mulher de 60 anos, moradores das aldeias Jaguapiru e Bororó, com óbitos registrados entre o fim de fevereiro e a primeira quinzena de março.
Na manhã deste sábado (21), uma bebê indígena de quatro meses foi encaminhada em estado grave ao Hospital Universitário, aumentando a preocupação das autoridades de saúde. Até o momento, não há atualização oficial sobre o estado clínico da criança.
O surto de chikungunya atinge a maior reserva indígena urbana do país, onde vivem mais de 20 mil pessoas das etnias Guarani-Kaiowá e Terena.
No entanto, a precariedade da infraestrutura tem contribuído para a disseminação do mosquito transmissor, já que grande parte das residências depende de caixas d’água, ambientes propícios para a proliferação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti.
Em oito de cada dez caixas d’água vistoriadas, foram encontrados focos do Aedes aegypti, vetor da chikungunya.
Diante do cenário, equipes de saúde intensificaram a chamada “busca ativa”, com visitas domiciliares para identificar casos suspeitos, orientar moradores e encaminhar pacientes para atendimento.
A ação conta com apoio da Força Nacional do Sistema Único de Saúde e de equipes municipais, além de reforço com veículos cedidos por cidades da região.
Sistema de saúde
O aumento acelerado de casos de chikungunya já impacta diretamente o funcionamento dos serviços públicos. Escolas nas aldeias tiveram aulas suspensas, e o atendimento de saúde foi centralizado em estruturas improvisadas, como a quadra da Escola Tengatui Marangatu.
Mesmo assim, moradores de áreas mais isoladas enfrentam dificuldades para acessar atendimento, especialmente idosos. Profissionais de saúde também começaram a adoecer, agravando a sobrecarga no sistema.
A técnica de enfermagem Edna, que atuava na linha de frente, precisou se afastar após apresentar sintomas como dores intensas, náuseas e manchas pelo corpo, quadro típico da doença.
Reforço emergencial e medidas
Para conter o avanço da chikungunya, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) criou uma sala de situação para monitoramento diário dos casos. A Força Nacional do SUS, que iniciou as atividades com sete profissionais, deve ampliar o efetivo para 21 integrantes a partir deste domingo (22).
As equipes também realizam treinamentos com profissionais locais para melhorar o atendimento e o manejo de casos, especialmente entre grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes e crianças.
A prefeitura de Dourados decretou situação de emergência em saúde por 90 dias e ampliou as ações de combate ao mosquito em mais de 4 mil imóveis.
Alerta para prevenção e riscos
Especialistas reforçam que evitar água parada é a principal medida para conter a proliferação do mosquito. Recipientes abertos, lixo acumulado e caixas d’água sem vedação adequada são os principais focos.
Outro alerta é sobre a automedicação. Profissionais de saúde destacam que o uso inadequado de medicamentos pode agravar o quadro clínico. A orientação é procurar atendimento médico ao surgimento dos primeiros sintomas.
Diante da gravidade do surto, o Ministério Público Federal (MPF) convocou representantes das áreas de saúde municipal, estadual e indígena para discutir medidas emergenciais.
Entre os pontos em análise estão o futuro do atendimento improvisado nas escolas, o reforço da estrutura de saúde e o acompanhamento de pacientes com possíveis sequelas da doença.
Além disso, problemas contratuais envolvendo a frota de veículos utilizados no atendimento das aldeias também preocupam, já que impactam diretamente o deslocamento das equipes de saúde.
Segundo dados da Sesai, até a última quinta-feira (19), o território indígena contabilizava 936 notificações, 846 casos prováveis, 274 confirmações, 90 atendimentos hospitalares, três internações e quatro mortes, com maior concentração nas regiões de Jaguapiru I e II e Bororó I e II.
Fonte: primeirapagina





