Direto De Brasilia

Caso Master: Oposição pressiona por avanço em investigações após ameaças a Lula

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word1

O escândalo financeiro do Banco Master promete desgaste político para agentes dos três Poderes e de todos os espectros ideológicos. Para parlamentares de oposição e analistas, contudo, a tendência é de que a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá colher o pior resultado.

Isso porque a aliança entre a Corte e o Executivo explica o silêncio de Lula, mas potencializa seu desgaste. Decisões atípicas e conflitos de interesse dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afrontam as ações da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) e geraram repúdio além da direita. A indignação aumentou com a revelação de possíveis conexões de um hotel de luxo no Paraná que já pertenceu a parentes de Toffoli com familiares do dono do Master, Daniel Vorcaro.

A avaliação de que o escândalo pode desgastar o governo parte do fato de o episódio ter se expandido para além do sistema financeiro e se configurar como uma crise institucional profunda, capaz de repercutir nas avaliações de governo. O histórico de corrupção em governos do PT e o avanço da campanha eleitoral devem jogar a favor disso.

Adriano Cerqueira, professor de Ciências Políticas do Ibmec-BH, lembra que o fim da mobilização do STF para prender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) esvaziou a comunicação política do governo e o caso Master não afeta o ex-presidente. “Pelo contrário: a oposição é quem lidera críticas e cobra investigações”, diz.

Lula tem encontro reservado com autoridades para discutir o caso Master

Na semana passada, Lula reuniu autoridades federais — incluindo ministros, o vice-presidente, o diretor da PF, representantes do Ministério Público, da Receita e do STF. Logo após o encontro, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, disse que o caso Master teria sido o “eixo” da reunião.

Dias antes, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski deixou o posto alegando questões familiares, mas também havia o risco de ter seu nome associado ao Master, do qual foi conselheiro. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saiu em defesa da atuação do BC diante daquilo que pode ser “a maior fraude bancária da história do Brasil”.

A postura do Palácio do Planalto — marcada por reuniões secretas com autoridades e monitoramento das novas revelações do escândalo — alimentou a ofensiva da oposição, que busca converter o episódio em símbolo de falta de transparência e de supostas relações espúrias entre Estado e empresas corruptas.

No Congresso, oposicionistas ampliaram a pressão para apontar implicados. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) classificou o caso Master como “escárnio” e atacou o sigilo imposto pelo BC às comunicações entre a autarquia e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. “Inaceitável”, disse.

CPMIs podem servir ao propósito da oposição de desgastar o governo

A deputada Bia Kicis (PL-DF) faz campanha pelas assinaturas para a abertura de Comissão Parlamentar Mista de inquérito (CPMI) dedicada ao caso. Junto com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ela também atua para que a CPMI do INSS invista desde já em alvos do escândalo financeiro.

A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também tem alertado que o sigilo no andamento das investigações “expõe o que eles defendem como democracia”. Ela também defende a abertura de uma investigação transparente e profunda nas CPMIs para não deixar “pedra sobre pedra”.

Em paralelo, chamou a atenção a decisão do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), de criar subcomissão suprapartidária de sete membros para acompanhar a apuração das condutas irregulares feitas por outros órgãos.

Marcus Deois, diretor da consultoria política Ética, avalia que a narrativa do caso Master ainda não tem a liderança de partido ou espectro ideológico. “Isso mostra que o escândalo tem ramificações em todo o Brasil e amplitude ideológica, desenvolvido por quem entende como opera a política”, diz.

Para especialistas, crise do Master será longa e interferirá no jogo eleitoral

Juan Carlos Arruda, diretor-geral da ONG Ranking dos Políticos, avalia que, em ano eleitoral, o caso Master deverá ser explorado intensamente como instrumento de desgaste de figuras públicas citadas em denúncias. “Com o avanço de investigações e reações, o tema vai durar por muito tempo”, diz.

Caso se confirmem vazamentos para a imprensa por parte de servidores da Receita e do BC de fatos comprometedores relacionados a ministros do STF, apurados em inquérito aberto de ofício pelo próprio Alexandre de Moraes, a expectativa é de que a Corte adote punições rigorosas contra os alvos, diante do desgaste sobre ele e Toffoli.

O cientista político Adriano Gianturco entende que o caso Master tende a desgastar mais Lula e a esquerda ao longo do tempo em razão da proximidade do Executivo com o Judiciário. Mas pondera ser preciso analisar as primeiras pesquisas de opinião que tratem do tema para se saber o real impacto das revelações sobre a popularidade do presidente.

Fonte: gazetadopovo

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.