A carga tributária brasileira atingiu 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e alcançou o maior nível desde o início da série histórica em 2010, segundo dados do Tesouro Nacional divulgados nesta sexta-feira (10). O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento de tributos federais, com destaque para o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O índice representa alta de 0,18 ponto percentual em relação a 2024, quando a carga havia sido de 32,22% do PIB. Caso confirmado nos dados oficiais que serão divulgados pela Receita Federal no fim de 2026, o número consolida um novo recorde de arrecadação no país.
Segundo o Tesouro, isso ocorreu devido a operações de saída de moeda estrangeira e à elevação das alíquotas sobre operações de câmbio e crédito, pressionando ainda mais o custo financeiro para empresas e consumidores.
“Em relação aos Impostos sobre bens e serviços, é importante mencionar o aumento de 0,10 ponto percentual do PIB nos Impostos sobre operações financeiras (IOF), resultado decorrente de operações relativas à saída de moeda estrangeira e da elevação das alíquotas incidentes sobre operações de câmbio e crédito”, informou o órgão em comunicado.
O crescimento da carga tributária foi puxado principalmente pela União, cuja fatia subiu para 22,34% do PIB em 2025, ante 21,6% no ano anterior. Já os estados registraram leve recuo, passando de 8,48% para 8,38%, enquanto os municípios tiveram pequena elevação, de 2,40% para 2,42% do PIB.
Outro ponto relevante foi o aumento da tributação sobre renda, lucros e ganhos de capital, com destaque para o crescimento de 0,23 ponto percentual do PIB no Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). O Tesouro atribui essa alta ao avanço da massa salarial e ao aumento dos rendimentos do trabalho.
“Refletindo, entre outros fatores, o crescimento dos rendimentos do trabalho decorrente da expansão da massa salarial”, diz o documento oficial.
Também houve incremento de 0,12 ponto percentual do PIB nas contribuições ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS), impulsionado pela criação de empregos formais e pela reoneração gradual da folha de pagamentos.
O relatório ainda destaca uma mudança metodológica que alterou a forma de cálculo da carga tributária, alinhando o Brasil a práticas internacionais recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Com isso, passaram a ser excluídas contribuições obrigatórias como FGTS e do Sistema S, o que também levou à revisão da série histórica.
Apesar da adequação técnica, o impacto prático indica que a carga pode ser ainda maior do que o divulgado oficialmente. Caso essas contribuições fossem incluídas, o peso dos tributos chegaria a 34,35% do PIB em 2025, ampliando a percepção de pressão fiscal sobre a economia.
Fonte: gazetadopovo





