Saúde

Butantan produzirá pembrolizumabe para tratamento de câncer pelo SUS

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2026

O Instituto Butantan firmou uma parceria com a farmacêutica norte-americana MSD para produzir no Brasil o pembrolizumabe, medicamento avançado utilizado no tratamento de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). O acordo é resultado de um edital lançado em 2024 pelo Ministério da Saúde com foco na ampliação da capacidade produtiva nacional.

O pembrolizumabe atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas, sendo considerado uma alternativa menos tóxica em comparação à quimioterapia tradicional. A terapia já é utilizada no SUS para pacientes com melanoma metastático, um tipo agressivo de câncer de pele que pode se espalhar para outros órgãos.

Atualmente, cerca de 1,7 mil pacientes são atendidos por ano com o medicamento, com um custo estimado em R$ 400 milhões aos cofres públicos. A expectativa do governo é ampliar o uso do tratamento para outros tipos de câncer, como colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. Caso essas indicações sejam aprovadas, a demanda pode chegar a aproximadamente 13 mil pacientes por ano.

De acordo com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, o acordo prevê a transferência gradual de tecnologia, permitindo que o Butantan assuma progressivamente a produção do medicamento. A medida deve contribuir para a redução de custos, além de garantir maior segurança no abastecimento.

O processo será implementado em etapas ao longo de até dez anos. Inicialmente, o instituto deve atuar nas fases de rotulagem e envase, avançando posteriormente para formulação e produção completa do medicamento. A fabricação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) nacional pode levar até oito anos.

A produção nacional é vista como estratégica para evitar interrupções no fornecimento, especialmente diante de possíveis crises logísticas internacionais. Além disso, a iniciativa fortalece a capacidade tecnológica do país para o desenvolvimento de novos medicamentos no futuro.

A parceria integra uma estratégia mais ampla do governo federal, que busca nacionalizar a produção de até 70% dos insumos de saúde utilizados no SUS nos próximos dez anos. O projeto também incentiva a cooperação entre setores público e privado, com foco em inovação e desenvolvimento econômico.

O anúncio foi feito durante um evento internacional sobre cooperação em tecnologias de saúde, realizado no Rio de Janeiro, com participação de autoridades e representantes da indústria farmacêutica. O Ministério da Saúde destacou que iniciativas desse tipo são fundamentais para fortalecer o sistema público e ampliar o acesso a tratamentos de alta complexidade.

Fonte: cenariomt

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