O Brasil encerrou 2025 com a segunda maior saída líquida de dólares desde o início da série histórica, em 1982, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central. O fluxo cambial total ficou negativo em US$ 33,316 bilhões, resultado inferior apenas ao observado em 2019, quando a evasão alcançou US$ 44,768 bilhões.
Mesmo diante do volume expressivo de saída de recursos, o real apresentou valorização ao longo do ano. O movimento foi sustentado pelo patamar elevado dos juros domésticos e pela desvalorização do dólar no cenário internacional.
O principal fator para o resultado negativo foi o desempenho da conta financeira, que acumulou saída líquida de US$ 82,467 bilhões em 2025, a segunda maior da série histórica. Esse canal reúne operações como investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros, pagamento de juros e demais transações financeiras.
Já o fluxo comercial registrou entrada líquida de US$ 49,151 bilhões no ano. Apesar do saldo positivo, o montante não foi suficiente para compensar a forte saída de recursos financeiros e ficou abaixo dos volumes registrados em anos anteriores.
Importações
De acordo com o Banco Central, o avanço das importações foi determinante para reduzir a entrada de dólares pela via comercial. O câmbio contratado para compras externas somou US$ 238 bilhões, o segundo maior valor da série histórica, atrás apenas de 2022.
As exportações totalizaram US$ 287,5 bilhões em 2025. Diferentemente da balança comercial, o fluxo cambial considera também pagamentos antecipados e adiantamentos de contratos de câmbio, o que amplia o escopo das operações analisadas.
Apreciação do real
Apesar da saída relevante de dólares no mercado à vista, o real se fortaleceu no período. Os juros elevados no Brasil e o enfraquecimento global da moeda norte-americana incentivaram posições favoráveis ao real no mercado de derivativos, compensando parte do fluxo negativo.
O Banco Central teve participação limitada no mercado à vista, realizando apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada por meio do chamado casadão. Nessa operação, a autoridade monetária vende dólares das reservas internacionais e, simultaneamente, compra dólares no mercado futuro, sem impacto direto no câmbio.
Resultado de dezembro
Somente em dezembro, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 13,562 bilhões. O valor foi inferior ao registrado no mesmo mês de 2024, quando a saída chegou a US$ 27 bilhões.
O resultado mensal refletiu uma saída de US$ 20,982 bilhões pela conta financeira, parcialmente compensada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões pela conta comercial. Tradicionalmente, dezembro concentra remessas ao exterior para pagamento de dividendos.
Em 2025, as remessas foram intensificadas por empresas e investidores que buscaram antecipar operações antes do fim da isenção do imposto de renda sobre envios internacionais, que passou a ser tributado a partir de janeiro de 2026.
Indicador prévio
O fluxo cambial funciona como uma prévia do balanço de pagamentos, divulgado mensalmente pelo Banco Central. O indicador contabiliza adiantamentos de contratos de câmbio e pagamentos antecipados, oferecendo um retrato antecipado das relações monetárias entre residentes e não residentes.
Os dados mostram que, ao longo de 2025, a principal pressão sobre o câmbio brasileiro ocorreu pelo canal financeiro, responsável pela maior parte da saída líquida de dólares.
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Fonte: cenariomt






