O embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas, Sérgio Danese, afirmou que não é aceitável sustentar que os fins justifiquem os meios diante da intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Segurança, realizada na segunda-feira (5), em referência à ação que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, ocorrido no sábado (4).
Segundo o diplomata, não há legitimidade em justificar o uso da força ou a derrubada ilegal de um governo com base em interesses econômicos ou na exploração de recursos naturais.
“Esse raciocínio carece de legitimidade e abre caminho para conceder aos poderosos o direito de definir o que é justo ou injusto, certo ou errado, e até mesmo de desconsiderar a soberania nacional”, afirmou.
Soluções
No pronunciamento, Danese destacou que o Brasil não vê a criação de protetorados como solução para a crise venezuelana. Para ele, o caminho deve respeitar a autodeterminação do povo da Venezuela, observando os limites estabelecidos pela Constituição do país.
O embaixador defendeu que o Conselho de Segurança atue com determinação, clareza e respeito ao direito internacional, para evitar que a força se sobreponha ao Estado de Direito.
Precedente perigoso
Danese avaliou que a intervenção representou violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, criando um precedente considerado extremamente perigoso para a comunidade internacional.
Ele reiterou que ações dessa natureza ameaçam a estabilidade global, estimulam a violência, a desordem e enfraquecem o multilateralismo. Na avaliação do diplomata, decisões desse tipo comprometem as instituições e o próprio sistema internacional.
O embaixador também alertou para os efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança e cooperação, apontando relação direta com a ampliação de conflitos armados.
“As normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais”, reforçou.
Alerta regional
Ao encerrar o discurso, Danese lembrou que a América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha duradoura e irreversível. Ele classificou a situação como inédita e profundamente alarmante.
Para o representante brasileiro, ataques à soberania de qualquer país extrapolam limites regionais e afetam toda a comunidade internacional, independentemente da orientação política do governo atingido.
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Fonte: cenariomt






