O crescimento das fraudes envolvendo o Pix tem levado instituições financeiras e empresas de tecnologia a ampliar os mecanismos de proteção nas transações digitais. Segundo dados divulgados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as tentativas de golpes relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos registraram aumento de aproximadamente 15% no último ano.
A popularização do Pix transformou a ferramenta em um dos principais meios de pagamento do país, mas também despertou o interesse de criminosos especializados em engenharia social, clonagem de dispositivos e invasões de contas bancárias. Com isso, o mercado financeiro passou a buscar soluções capazes de aumentar a segurança sem comprometer a experiência dos usuários.
Entre as alternativas que vêm ganhando espaço está a autenticação biométrica facial em tempo real. A tecnologia é utilizada como uma camada adicional de proteção, especialmente em operações consideradas de maior risco ou de valores elevados.
De acordo com a CertiFace, empresa especializada em autenticação de identidade digital e prevenção a fraudes, o cenário atual exige mecanismos que vão além das credenciais tradicionais, como senhas e códigos enviados por SMS.
Embora esses métodos continuem sendo amplamente utilizados, especialistas alertam que eles podem ser vulneráveis a golpes de engenharia social. Nesses casos, criminosos convencem as vítimas a fornecer informações de acesso ou autorizarem procedimentos que permitem a realização de transações indevidas.
Face passa a atuar como validador da operação
A proposta da biometria facial é confirmar, em poucos segundos, se a pessoa que está realizando a operação é realmente o titular da conta. O processo utiliza inteligência artificial e sistemas de validação conhecidos como “prova de vida”, capazes de identificar tentativas de fraude por meio de fotografias, vídeos gravados ou imagens manipuladas.
Segundo a empresa, a evolução da tecnologia permitiu reduzir a necessidade de ações manuais por parte do usuário. Em vez de exigir movimentos específicos diante da câmera, os sistemas mais recentes realizam verificações passivas, analisando a autenticidade da imagem quase de forma instantânea.
A expectativa do setor é que esse modelo ajude a reduzir significativamente os riscos em operações de maior valor, sem gerar obstáculos para os clientes legítimos.
Os golpes de engenharia social permanecem entre as principais ameaças enfrentadas pelos usuários do sistema financeiro. Nessa modalidade, os criminosos utilizam técnicas de persuasão para obter senhas, códigos temporários e outras informações de segurança.
Mesmo quando o acesso à conta ocorre com credenciais válidas, a biometria facial pode funcionar como uma barreira adicional, dificultando que terceiros concluam transferências ou pagamentos sem a presença do titular.
Para Dilson de Sá, CEO da CertiFace, a combinação de métodos tradicionais com autenticação biométrica representa uma tendência cada vez mais presente no setor financeiro.
“A senha tradicional continua cumprindo seu papel de acesso, mas quando falamos de Pix de alto valor e do avanço da engenharia social, ela sozinha já não basta. O fraudador muitas vezes consegue convencer a vítima a entregar a senha ou o código SMS. É aí que entra a autenticação em tempo real, onde a face opera como o validador final do pagamento”, afirma o executivo.
Mercado financeiro amplia investimentos em proteção
Com o aumento das tentativas de fraude e a crescente digitalização dos serviços bancários, a adoção de tecnologias voltadas à validação de identidade tende a se intensificar nos próximos anos.
Além da biometria facial, bancos e fintechs vêm investindo em inteligência artificial, monitoramento comportamental e sistemas de análise de risco capazes de identificar movimentações fora do padrão habitual dos clientes.
A expectativa é que essas soluções permitam manter a agilidade característica do Pix, ao mesmo tempo em que reforçam a proteção contra golpes que se tornam cada vez mais sofisticados.
Enquanto isso, especialistas recomendam que os usuários continuem atentos a mensagens suspeitas, contatos telefônicos não solicitados e pedidos de compartilhamento de senhas ou códigos de segurança, práticas frequentemente utilizadas por criminosos para acessar contas e realizar transações indevidas.
Fonte: cenariomt





