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Ativista busca justiça para familiares mortos durante ditadura após 50 anos: o que aconteceu?

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2026

A professora e ativista Victória Grabois mantém, há mais de cinco décadas, a luta por respostas sobre a morte de três familiares durante o regime militar brasileiro. Em 1973, seu pai, Maurício Grabois, o irmão, André, e o marido, Gilberto Olímpio, foram mortos por agentes do Estado na região da Serra do Araguaia, onde atuavam na resistência ao regime.

Aos 82 anos, ela afirma não ter expectativa concreta de descobrir os detalhes das mortes, mas reforça a importância de preservar a memória e combater o silêncio histórico. “Quero que abram os arquivos e que digam onde mataram, como mataram e quando mataram”, defende. Os corpos das vítimas nunca foram entregues à família.

Nesta terça-feira (31), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, junto à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, realiza a entrega de 27 certidões de óbito retificadas em Salvador. Entre os documentos está o de Maurício Grabois, com a causa da morte corrigida para ação violenta do Estado.

A retificação é considerada um avanço simbólico, mas familiares ainda cobram investigações mais profundas sobre os crimes da ditadura. Victória, uma das fundadoras do movimento Tortura Nunca Mais, afirma que o Estado precisa ir além da correção documental e esclarecer as circunstâncias das mortes.

Ela relembra o pai como uma figura de princípios e destaca sua atuação política, incluindo o papel como deputado constituinte em 1946. Segundo ela, a última convivência com o pai ocorreu quando tinha 29 anos, pouco antes das mortes, que teriam ocorrido em 25 de dezembro de 1973.

Na segunda-feira (30), o movimento Tortura Nunca Mais realizou a entrega da medalha Chico Mendes a defensores dos direitos humanos, destacando vítimas da ditadura e também casos atuais de violência estatal. A premiação também homenageou mães que perderam filhos em ações policiais.

Para a ativista, produções culturais recentes sobre o período militar ajudaram a ampliar o debate público e a levar o tema às escolas. Ela avalia que muitos brasileiros passaram a conhecer melhor episódios como a Guerrilha do Araguaia por meio dessas obras.

A presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos, Eugênia Gonzaga, afirma que a retificação das certidões tem sido uma das medidas mais relevantes de reparação às famílias. A meta é revisar os documentos de todas as vítimas reconhecidas.

Apesar disso, ela critica a falta de acesso completo a arquivos das Forças Armadas. “Ainda não há uma versão definitiva sobre as circunstâncias das mortes e os locais de sepultamento”, afirma.

Segundo Gonzaga, a ausência de respostas é uma falha persistente do sistema de justiça brasileiro, que ainda não conseguiu esclarecer plenamente os crimes cometidos durante a ditadura.

Fonte: cenariomt

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