Vamos falar hoje de multitarefas, um assunto antigo, que atualmente vem ganhando bastante espaço, porque o conhecimento científico evoluiu muito nos últimos tempos, as pesquisas desenvolveram-se, os trabalhos médicos e neuropsicológicos multiplicaram-se e passamos a conhecer — e a cada dia tomamos mais conhecimento — nosso cérebro, suas conexões e sua capacidade.
Com isso, não estamos apenas ganhando conhecimento, como desfazendo mitos, ao adentrar cada vez mais fundo na mente humana, o que, até pouco tempo, parecia impossível.
A princípio, em relação às atividades diárias, nossa vida se divide entre tê-las ou não, fazê-las ou não, executar uma ou mais tarefas ou viver o ócio. O que conhecemos como multitarefa nada mais é do que uma alternância rápida de foco entre uma e mais tarefas.
Quando isso é feito, nosso cérebro precisa desligar-se do foco de uma tarefa e ligar-se em outra com todas as suas informações e particularidades e faz isso toda vez que muda de tarefa, ainda que seja para retornar à tarefa anterior.
A alternância rápida exige muita atividade mental, com maior gasto de energia psíquica, mas ainda assim, certamente, as tarefas não vão apresentar a mesma performance que teriam se fossem realizadas uma por vez. As pesquisas mostram que apenas 2,5% das pessoas são capazes de executar com perfeição duas tarefas ao mesmo tempo.
Achava-se, no entanto, que a realização de várias tarefas ao mesmo tempo era sinônimo de produtividade, crença totalmente afastada nos dias atuais, uma vez que cientificamente já se sabe que, além de prejudicar o desempenho na execução de uma atividade, prejudica a saúde mental e física devido ao aumento do estresse, com maior risco de adventos de ansiedade, depressão, hipertensão arterial e transtornos do sono.
O prejuízo na realização das atividades, em caso de multitarefas, é observado nas tarefas mal-acabadas ou não tão bem-acabadas como aquelas para as quais foi dispensada atenção única e total. O esforço constante do executor de multitarefas, leva-o facilmente ao esgotamento e à fadiga mental, com maior risco de exaustão e até de aparecimento da síndrome de burnout.
Na realização de multitarefas, há maior possibilidade de erros e falhas por falta de foco profundo em determinada área, uma vez que a alternância entre os focos é muito rápida, prejudicando a profundidade do foco em cada um dos trabalhos feitos.
Alguns estudos mostram que, em caso de multitarefas, pode haver uma perda da produtividade de até 40%. Pode ainda haver prejuízos cognitivos, principalmente da memória. Com isso a criatividade, que seria mais desenvolvida em tarefa única, sofre danos que seriam evitados com o trabalho focado em apenas um objeto.
Outra coisa interessante a abordar-se é a suposta superioridade da mulher em relação ao homem no tocante à realização de múltiplas tarefas ao mesmo tempo.
Isso é mais um mito e sabe-se que a mulher, culturalmente, desde cedo, é estimulada a assumir muitas coisas dentro e fora de casa e aceita isso mais resignada do que o homem, o que comumente a deixa em pequena vantagem na disputa dos gêneros; o homem, por sua vez, rebela-se contra a possibilidade de realização de inúmeras coisas e termina por deixar de realizá-las.
A coisa correta a fazer é deixar de glorificar a multitarefa, já que o importante não é realizar muitas coisas ao mesmo tempo, mas concluir uma tarefa de cada vez com excelência, observando que quantidade é importante, desde que a qualidade não sofra prejuízos.
O ócio em algumas horas do dia pode fazer bem, devemos fazer dele momento de introspecção, de reflexão, de meditação. O sono de boa qualidade traz um dos maiores benefícios à saúde mental, é quando propiciamos descanso ao cérebro e à mente, é a hora reservada pelo organismo para realizar a necessária faxina mental.
Fonte: primeirapagina






