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As 5 Descobertas Arqueológicas Mais Fascinantes de 2025: Surpreenda-se!

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  • Este texto é parte da reportagem “Notícias do Subsolo”, da edição 483 da Super. Confira aqui a versão dos achados de paleontologia.

    Tudo que passa pela Terra deixa vestígios. O tempo e os fenômenos naturais apagam a maioria, é verdade – mas, em condições propícias, ossadas, pegadas e artefatos podem durar milhões de anos. É sobre esses rastros que cientistas dedicados a decifrar o passado se debruçam.

    O foco dos paleontólogos são os fósseis de todo tipo de ser vivo – eles trabalham com uma janela de tempo extensa, desde o surgimento da vida na Terra, há quase 4 bilhões de anos.

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    Os arqueólogos, por sua vez, concentram-se em vestígios humanos – que, mesmo quando têm centenas de milhares de anos, ainda são relativamente recentes levando em conta a idade do nosso planeta. Prepare sua máquina do tempo: a seguir, dez das novidades mais antigas do ano que passou.

    Ilustração de fósseis embalados em caixas de presente. Vê-se um crânio humano e outro de dinossauro. Ao redor, vê-se cacho de uvas, garrafas e taças de champanhe.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)
    Ilustração, em fundo areia, de um homem pré-histórico erguendo um crânio humano e olhando para ele.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    Em 1933, um crânio quase completo foi encontra do em Harbin, na China. Diferente de tudo que se conhecia, em 2019 ele foi descrito oficialmente como uma nova espécie, Homo longi, datada em 146 mil anos. Pela idade e localidade, havia também outra hipótese: de que se tratasse de um denisovano, um hominídeo que habitou a Ásia, e, assim como os neandertais, conviveu e procriou com o Homo sapiens.

    Entretanto, diferentemente dos neandertais, que deixaram fartos registros fósseis, conhecidos há décadas, os denisovanos só foram descobertos em 2010, a partir do DNA de um dedo mindinho encontrado em uma caverna na Rússia. Pelo pouco conhecimento sobre a aparência dos denisovanos, não dava para confirmar ou descartar a hipótese do Homo longi.

    Para resolver essa questão, encontrar vestígios de DNA no crânio de Harbin era indispensável – porém, tratando-se de um achado tão antigo, era uma missão quase impossível. Mas um molar sujo sal vou o dia: pesquisadores encontraram matéria orgânica preservada debaixo de uma camada dura de 0,3 mg de tártaro, de onde extraíram DNA mitocondrial (2). Quase simultaneamente, outro estudo isolou 95 proteínas antigas dos ossos do mesmo fóssil (3).

    Os dois estudos confirmaram o match: o tal Homo longi era, na verdade, um denisovano. Os denisovanos tinham cérebros tão grandes como os dos sapiens, mas um rosto mais largo, com sobrancelhas quadradas e proeminentes, narinas amplas, molares grandes (como os de outros primatas ancestrais) e sem queixo projetado como o nosso. Conhecer a aparência deles é um passo importante para encontrar mais pistas sobre esse hominídeo misterioso.

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

     

    Ilustração, em fundo areia, de uma montanha vermelha com uma porta de acesso.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    O corpo mumificado do faraó Tutmés II, da 18ª Dinastia do Egito Antigo, foi encontrado em 1886, escondido junto a dezenas de outras múmias para despistar saqueadores. O que ninguém sabia, até agora, era onde o rei havia sido original mente enterrado.

    O mistério terminou após anos de escavações em uma tumba conhecida como Wadi C-4, fechada há mais de 3 mil anos. Lá, arqueólogos encontraram inscrições com o nome do faraó e de Hatshepsut, rainha que governou o Egito e era sua esposa e meia-irmã.

    A tumba de Tutmés II é a última que faltava da 18ª Dinastia, e preenche lacunas de um reinado pouco documentado. Tutmés II governou por pouco tempo (algo entre 3 e 14 anos, segundo estimativas) e construiu poucos monumentos. Ao longo da História, acabou ofuscado pelo legado de seus xarás, Tutmés I e Tutmés III (que, em comparação, comandou o Egito por mais de 50 anos).

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    Ilustração, em fundo areia, de um nuvem de fumaça saindo de um buraco em forma de cruz.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    Arqueólogos identificaram uma construção maia interpretada como um cosmograma, isto é, uma representação da ordem do universo usa da em rituais coletivos. Com 1,5 km de comprimento, 400 m de largura e 15 m de altura, trata-se do maior e mais antigo monumento conhecido na região.

    O sítio arqueológico, chamado Aguada Fénix, reúne uma enorme plataforma de terra com calçadas e canais Fonte 1 alinhados aos pontos cardeais, associados ao nascer do sol em datas do calendário de rituais mesoamericano.

    A ausência de palácios, túmulos de elite ou imagens de governantes indica que a obra foi construída de forma comunitária ao longo de séculos, mostrando que sociedades sem poder centralizado já eram capazes de planejar construções monumentais e transformar a paisagem para suas celebrações (4).

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    Ilustração, em fundo areia, de uma múmia tatuando o próprio corpo.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    O permafrost, solo congelado das regiões frias, preserva seres vivos. Ao derreter, revela cápsulas do tempo de milhares de anos, como mamutes, bactérias – e a múmia de uma mulher de 50 anos. O cadáver foi encontra do em meados do século 20. Nos anos 2000, o uso de luz infravermelha revelou que sua pele escurecida pelo gelo estava coberta de tatuagens.

    Agora, uma nova técnica revelou detalhes das ilustrações. As mãos e os braços da mulher estão repletos de animais, como tigres caçando veados e uma ave de cauda bufante. Tudo bem mais sofistica do do que as tattoos de outras múmias da região (e da época, no geral).

    Os pesquisadores apontam que as artes nasceram de pigmentos feitos de carvão ou fuligem, várias ferramentas – e muita habilidade especializada. “Alcançar resultados tão nítidos e uniformes com métodos manuais seria um desafio até para tatuadores contemporâneos”, escreveram (6).

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

    Ilustração, em fundo areia, de um grande porta joia com um cérebro humano.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    Quando o Vesúvio entrou em erupção, a destruição ocorreu em etapas. No início, uma chuva de detritos vulcânicos soterrou casas, depois, uma nuvem de cinzas e gases extremamente quentes em alta velocidade avançou pelas cidades vizinhas.

    O calor matou as pessoas quase instantaneamente, mas passou rápido demais para destruir os corpos por completo. A súbita contração dos músculos deixou as vítimas rígidas – e seus corpos, cobertos por camadas de cinzas, tiveram a forma preservada mesmo após a decomposição.

    Uma das vítimas foi um homem de uns 20 anos que foi exposto a temperaturas de pelo menos 510 ºC e resfriado imediatamente. O processo teve um efeito que nunca havia sido observado: um pedaço de seu cérebro se transformou em vidro.

    A descoberta impressiona porque é a primeira vez que pesquisadores observam matéria orgânica virar vidro dessa forma. O crânio ajudou a proteger o órgão durante esse processo extremo – e o vidro preservou até estruturas microscópicas do cérebro, como os neurônios (7).

    Fontes (1) artigo “Earliest parietal art: hominin hand and foot traces from the middle Pleistocene of Tibet”; (2) artigo “Denisovan mitochondrial DNA from dental calculus of the >146,000-year-old Harbin cranium”; (3) artigo “The proteome of the late Middle Pleistocene Harbin individual”; (4) artigo “Landscape-wide cosmogram built by the early community of Aguada Fénix in southeastern Mesoamerica”; (5) artigo “Late Quaternary dynamics of Arctic biota from ancient environ-mental genomics”; (6) artigo “High-resolution near-infrared data reveal Pazyryk tattooing methods”; (7) artigo “Unique formation of organic glass from a human brain in the Vesuvius eruption of 79 CE”.

    Fonte: abril

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