Implantada em um terreno em declive, em Trancoso, a Casa Odara se revela aos poucos. Assinada pelo escritório W.A.M.V Arquitetura, a residência de praia foi pensada para uma família com três filhos adolescentes e nasce do encontro entre simplicidade construtiva, identidade regional e inteligência de implantação. Discreta na relação com a rua, a casa surpreende ao se abrir internamente em espaços amplos, integrados e conectados à paisagem, criando uma experiência de morar marcada por conforto, surpresa e pertencimento ao lugar.
Conheça a especialista
Andressa Oliveira é arquiteta e urbanista especialista no cultivo de plantas em casa e com experiência em projetos arquitetônicos e de interiores.
Implantação que acompanha o terreno
O terreno de 640 m², marcado por um declive acentuado e voltado para uma área de preservação permanente, foi determinante para o partido arquitetônico da Casa Odara. Em vez de nivelar ou impor uma solução rígida à topografia, o projeto optou por acompanhá-la, transformando o desnível em estratégia espacial. A casa se organiza em blocos interligados e em diferentes níveis, permitindo que os ambientes se adaptem naturalmente ao relevo. “A principal demanda era criar um espaço familiar confortável, que dialogasse de forma harmoniosa com o entorno”, explica o escritório. A implantação favorece vistas abertas para a mata, ventilação cruzada e iluminação natural abundante, ao mesmo tempo em que preserva a privacidade da família.
Fachada discreta e a ideia de surpresa
Vista da rua, a Casa Odara se apresenta de forma contida. A fachada adota proporções simples, remetendo às casas tradicionais do Quadrado de Trancoso. Segundo os arquitetos, a intenção foi criar uma arquitetura que não se impusesse à rua, mas que revelasse sua complexidade aos poucos. Assim, a fachada funciona como um convite discreto: simples por fora, generosa por dentro.
A sala como ponto de revelação do projeto
É na sala de estar que o conceito da Casa Odara se revela por completo. Localizada no coração da residência, ela surge como o espaço de encontro e contemplação. O pé-direito duplo amplia a percepção do ambiente e reforça a sensação de abertura, enquanto a as grandes aberturas garantem conforto térmico e visual constante. Com certeza a sala de estar interna é o ponto-chave da residência, a área principal de encontro e de deslumbramento, onde todo o conceito da casa se revela”, explicam os arquitetos.
Cozinha em nível rebaixado: integração com mais intimidade
A cozinha ocupa um nível mais baixo em relação à sala, uma decisão estratégica que contribui para a hierarquia dos espaços sem romper a integração. Essa diferença permite que o ambiente funcione de forma mais reservada, ao mesmo tempo em que mantém conexão visual e espacial com a área social.
Materiais locais e simplicidade como linguagem arquitetônica
“Optamos por uma paleta reduzida e soluções de baixa complexidade técnica, acreditando que a simplicidade bem conduzida aproxima o morador da casa e revela a arquitetura”, explica o escritório. Materiais naturais e regionais aparecem valorizando texturas, tonalidades e a passagem do tempo.Estruturas aparentes em eucalipto roliço, caixilharias em peroba-rosa, pisos em cimento queimado em tom marfim compõem uma arquitetura que se aproxima do lugar em que está inserida. .
Nesse conjunto, a iluminação ganha um papel de destaque. O jogo de luminárias pendentes foi concebido pelo escritório como uma referência direta ao imaginário popular brasileiro, evocando balões das festas de São João. Produzidas artesanalmente com cipó, palha de dendê e corda sisal, as peças foram adquiridas em lojas locais, reforçando a valorização da mão de obra regional.
Atmosfera serena nos quartos
Nos quartos, o projeto reforça a ideia de recolhimento e pausa, sem romper com a fluidez espacial da casa. A suíte master foi posicionada meio nível acima da sala social, aproveitando o desnível do terreno para garantir mais privacidade e, ao mesmo tempo, manter a relação visual com a paisagem ao redor. Os demais dormitórios seguem a mesma lógica de integração com o entorno, priorizando aberturas generosas, superfícies claras, iluminação natural abundante e uso de materiais simples.
Banheiros: funcionalidade e conforto no uso diário
Nos banheiros, o projeto adota a mesma lógica que orienta toda a Casa Odara: soluções simples, materiais honestos e atenção ao conforto. A escolha por revestimentos claros, superfícies contínuas e iluminação bem distribuída garante sensação de amplitude e frescor, além de facilitar a ventilação natural. As aberturas estratégicas permitem a renovação constante do ar, contribuindo para o conforto térmico e evitando a umidade excessiva, um cuidado essencial em regiões litorâneas.
Área externa e piscina: lazer integrado à paisagem
A área externa funciona como uma extensão natural da casa e potencializa a relação com a paisagem ao redor. Integrada ao deck, a piscina acompanha os níveis do terreno e se abre para a vista da mata. O espaço foi pensado como um lugar de descanso e contemplação. A presença da rede, o uso da madeira no deck e a proximidade com a vegetação criam uma atmosfera acolhedora, típica das casas de praia.
Ao respeitar a topografia, valorizar materiais locais e apostar em soluções simples, o projeto da Casa Odara constrói uma experiência espacial que vai além da forma: cria pertencimento, conforto e conexão com a paisagem. Uma casa que se revela aos poucos, sem excessos, e que encontra na simplicidade o seu maior valor.
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Fonte: tuacasa






