Em Angra dos Reis, a Casa da Figueira, assinada pelos arquitetos Julia Reis e Lucas Bueno do Estúdio Lava, nasce de um terreno desafiador e se transforma em uma solução arquitetônica que chama atenção pela forma como se relaciona com o entorno. Com planta semicircular e estrutura em madeira, o projeto foi pensado a partir do percurso do sol ao longo do dia, criando espaços que se revelam de diferentes maneiras conforme a luz se move e transforma a percepção da casa.
Conheça a especialista
Andressa Oliveira é arquiteta e urbanista especialista no cultivo de plantas em casa e com experiência em projetos arquitetônicos e de interiores.
A casa que acompanha o percurso do sol
O formato semicircular da Casa da Figueira nasce da intenção de responder ao percurso do sol ao longo do dia, organizando os ambientes a partir dessa lógica desde o início do projeto. Ao longo do arco, os espaços se orientam para receber a luz em diferentes momentos, criando uma experiência que se transforma conforme as horas passam e reforça a conexão entre a casa, o tempo e a paisagem.
O terreno organiza a experiência da casa
A partir da inclinação do terreno, a casa se organiza em patamares que estruturam os percursos pelos espaços. Caminhos marcados por dormentes acompanham as curvas da arquitetura e conduzem o caminhar de forma natural, criando uma transição suave entre os níveis e reforçando a sensação de que a casa se revela aos poucos, em sintonia com o relevo e a vegetação ao redor.
Áreas de convivência voltadas à paisagem
As áreas de convivência se organizam de forma contínua e integrada, sempre voltadas para a paisagem e, principalmente, para o pôr do sol. A sala e os espaços sociais se abrem para o deck e para o horizonte, criando uma relação direta com o exterior e fazendo da luz do fim do dia um elemento central da experiência. À medida que o sol se desloca, a luz atravessa os ambientes, aquece os materiais e transforma a atmosfera da casa.
Posicionada próxima ao acesso da casa, a cozinha ocupa um dos módulos e se abre diretamente para a área de estar, reforçando a integração dos espaços de convivência. Sua localização facilita o uso no dia a dia e mantém a conexão com a dinâmica da casa, acompanhando tanto os momentos práticos quanto os de encontro, sempre em diálogo com a luz e a paisagem.
Área íntima funcional e organizada
Nos quartos, a disposição segue a lógica funcional da casa, com os ambientes organizados ao redor de um núcleo hidráulico que concentra o banheiro. Esse espaço foi pensado para uso simultâneo, com áreas separadas para ducha, vaso sanitário e cuba, trazendo mais praticidade para a rotina e permitindo que diferentes usos aconteçam ao mesmo tempo, sem interferências.
Estrutura em madeira leve e integrada
A escolha da madeira laminada colada (MLC) como material estrutural foi fundamental para garantir leveza e integração com o ambiente natural. O sistema construtivo permite vencer grandes vãos com precisão e criar formas curvas que acompanham o desenho da casa. Além do desempenho estrutural, contribui para uma obra de menor impacto no terreno, com montagem eficiente e uma presença visual que dialoga diretamente com a paisagem.
O deck amplia a casa em meio à vegetação
O deck de madeira funciona como uma extensão natural das áreas internas, acompanhando a geometria curva da casa e contornando as árvores existentes no terreno. Suspenso por pilares que remetem a troncos, ele se projeta sobre o declive e cria um espaço de permanência voltado para a paisagem. Entre sombra, luz e vegetação, o deck se torna um dos principais lugares de estar, onde a casa se abre completamente para o entorno.
A Casa da Figueira mostra como a arquitetura pode ir além da forma e se tornar uma resposta sensível ao lugar. Ao acompanhar o percurso do sol, respeitar o terreno e se integrar à vegetação, o projeto cria uma experiência que muda ao longo do dia e valoriza a relação com a paisagem. Se você se encanta por casas que se conectam com a natureza, vale a pena conhecer também outras casas no meio da mata.
Fonte: tuacasa





