O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Beber, fez uma avaliação dura sobre a condução do governo federal em temas ligados ao agronegócio. Segundo ele, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria adotado um comportamento de “perseguição” e “desvalorização” do setor, especialmente na formulação do Plano Safra e nas discussões envolvendo terras e meio ambiente.
Beber afirmou que sucessivas edições do Plano Safra apresentaram juros elevados, reduzindo o estímulo à produção e impactando o planejamento dos produtores rurais. Ele também criticou a política de demarcação de terras indígenas, que, segundo ele, desrespeitaria proprietários e geraria insegurança jurídica no campo.
O dirigente citou ainda a moratória da soja como exemplo de instabilidade institucional. Para ele, a atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) em defesa do acordo com a indústria e os traders teria desrespeitado o Congresso Nacional. “Isso traz insegurança jurídica e afasta investimento para o nosso país”, afirmou. Beber reforçou que, enquanto entidade, não faz manifestações partidárias, mas sim técnicas, e que cabe ao produtor escolher seu posicionamento político.
Sobre a atuação do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), Beber sustentou que Mato Grosso não registrou avanços relevantes para as culturas de soja e milho. Segundo ele, apesar de declarações contrárias à moratória, o ministro teria atuado para sua continuidade. “Por ser do nosso estado, não colaborou em nada”, disse, acrescentando que o acordo impacta não apenas produtores, mas o desenvolvimento econômico e social de Mato Grosso.
Beber relatou ainda que a Aprosoja buscou o Ministério da Agricultura durante a crise de seca enfrentada pelo estado, há dois anos, enviou documentos e pleitos técnicos, mas não recebeu resposta. “Tivemos sempre uma atuação técnica, sem política partidária. Mas ele não atendeu nenhum dos nossos pleitos”, afirmou.
As críticas ocorrem em meio a um cenário de tensão entre segmentos do agronegócio e setores do governo federal, especialmente em debates ambientais e fundiários. O governo Lula e o ministro Fávaro têm ressaltado publicamente a importância do agronegócio para a economia e a necessidade de conciliar produção com sustentabilidade, mas as divergências com entidades representativas seguem sendo um dos principais pontos de atrito.
Fonte: leiagora






