Cenário Político

Ananias admite expulsão de traidores e ameaça Abilio: Vou agir!

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2026

O presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, endureceu o discurso contra os filiados que resistem a apoiar os candidatos definidos pelo arco de aliança formado pela legenda para as eleições deste ano. O dirigente admitiu a possibilidade de expulsão e afirmou que poderá adotar medidas duras até mesmo contra o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, seu correligionário e chefe no Executivo municipal.

Ananias também ocupa o cargo de secretário municipal de Governo na administração de Abilio. Apesar da relação política e administrativa, declarou que não deixará de agir caso o prefeito faça campanha para candidatos de fora da composição firmada pelo partido. “Não tem problema. Como presidente do partido, se tiver que tomar uma medida dura contra o Abilio, eu mesmo vou meter a caneta”, afirmou.

O recado ocorre em meio à resistência de integrantes do PL à aliança construída com o MDB e o Novo em torno da candidatura do senador Wellington Fagundes ao governo do Estado. Marcelo Maluf, do Novo, foi escolhido como candidato a vice-governador, enquanto o acordo também envolve as candidaturas ao Senado.

Abilio já declarou publicamente que não pretende apoiar a aliança entre PL e MDB e chegou a apresentar três alternativas ao partido: ser liberado para seguir outro caminho, ter sua posição tolerada ou ser expulso.

Apesar do tom duro, Ananias afirmou que não obrigará nenhum filiado a pedir votos para os candidatos da coligação. A cobrança, segundo ele, será para que os detentores de mandato não façam campanha pública por adversários. “Eu não vou obrigar ninguém a apoiar os nossos candidatos. Mas também não vou aceitar que alguém esteja exercendo um mandato pelo partido e fique falando que vai apoiar candidatos de fora”, declarou.

No entanto, o prefeito de Rondonópolis, Claudio Ferreira (PL), já declarou apoio ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos), assim como o presidente da Câmara de Rondonópolis, vereador Paulo Schuh (PL). Além deles, os prefeitos de Campo Novo do Parecis, Edilson Antônio Piaia (PL), e de Primavera do Leste, Sérgio Machinic (PL), também já haviam manifestado preferência pelo republicanos

Segundo o presidente do PL, o filiado poderá permanecer em silêncio e não se manifestar durante a campanha. Caso decida apoiar nomes de outras composições, no entanto, deverá deixar a legenda.

“Se ficar calado, sem tomar posicionamento, nós vamos aceitar perfeitamente. Vamos ficar na nossa. O que não vamos aceitar, de forma alguma, é que mandatários que estejam dentro desse arco de aliança façam campanha para candidatos que não pertençam a essa composição”, disse.

Ananias ainda afirmou que quem decidir contrariar a orientação partidária deverá pedir espontaneamente a carta de desfiliação. Caso isso não ocorra, admitiu a abertura de um processo de expulsão.

“Pode haver expulsão. Mas tenho certeza de que quem for homem de verdade, tiver caráter e quiser fazer campanha para outro candidato irá ao PL e pedirá a desfiliação”, disparou.

O dirigente também defendeu que os filiados beneficiados com recursos do fundo eleitoral devolvam os valores caso decidam apoiar candidaturas adversárias. A eventual devolução foi apresentada por Ananias como uma cobrança política, sem que ele detalhasse de que forma a medida seria executada.

Ao ser questionado especificamente sobre possíveis punições aos prefeitos Abilio Brunini, de Cuiabá, e Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, além de uma eventual medida contra a vereadora Samantha Iris, Ananias afirmou que nenhuma ação foi apresentada até o momento.

Ele ponderou, contudo, que existe uma resolução nacional do PL proibindo manifestações de mandatários em favor de candidatos de outros partidos e disse estar disposto a agir imediatamente, caso considere necessário.

“Se tiver que tomar uma atitude, eu tomo amanhã. Não tenho problema nenhum em tomar atitude”, declarou.

Ananias também sustentou que, após a formalização da coligação, os candidatos dos partidos aliados passarão a seguir uma direção conjunta. Conforme o dirigente, os integrantes da composição deverão trabalhar pelas candidaturas de Wellington Fagundes, Marcelo Maluf e dos nomes definidos para o Senado.

“Quem não quiser fazer campanha para Wellington Fagundes, Marcelo Maluf e para os nossos candidatos ao Senado, eu lamento, mas isso é infidelidade. E infidelidade eu não vou aceitar. O Novo também não vai aceitar”, afirmou.

O posicionamento representa um endurecimento do discurso adotado pelo presidente do PL após o encerramento do período das convenções. Em 22 de julho, Ananias havia descartado punições imediatas aos prefeitos resistentes e defendido o diálogo como forma de unificar a legenda. Na ocasião, entretanto, já antecipava que o partido passaria a cobrar fidelidade após a definição das alianças.

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Fonte: leiagora

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