Saúde

Análise de DNA revela as espécies presentes no Santo Sudário

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2026

O Sudário de Turim, também conhecido como Santo Sudário, é um tecido de linho com a silhueta de um homem impressa sobre ele. A Igreja Católica o considera uma relíquia sagrada, pois o tecido teria sido a mortalha fúnebre que envolveu o corpo de Jesus Cristo após a crucificação. Para os cientistas, porém, ele continua sendo um objeto de investigação, o que o tornou um dos artefatos mais estudados do mundo.

No dia 9 de julho, um estudo publicado no periódico científico Scientific Reports apresentou os resultados de uma nova análise genética do tecido, realizada com tecnologias avançadas de sequenciamento genômico.

Uma equipe de cientistas das universidades italianas de Pádua e Pavia, além de outras instituições, analisou uma amostra do tecido coletada em 1978. Eles não encontraram o material genético de apenas uma pessoa, mas sim uma mistura de assinaturas biológicas acumuladas ao longo dos séculos. A pesquisa revela que a história biológica da peça é mais complexa do que se imaginava.

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Na verdade, o tecido contém várias linhagens de DNA mitocondrial humano, além de um microbioma composto por bactérias, fungos e outros microrganismos. O mais surpreendente foi a presença de vestígios de DNA de espécies vegetais cultivadas (como trigo, cenoura, milho e banana), de animais domésticos (como bois, porcos, galinhas, cães e gatos) e até do coral-vermelho do Mediterrâneo, uma espécie endêmica da região.

Segundo os pesquisadores, esses vestígios genéticos da fauna e da flora são compatíveis com contaminações relativamente recentes, ocorridas não antes do fim da Idade Média. Os autores levantam a hipótese de que parte dessas trocas biológicas possa ter ocorrido em períodos associados às viagens de Marco Polo e Cristóvão Colombo.

“Estas evidências genéticas integram as investigações forenses e os dados históricos e radiométricos já disponíveis, oferecendo informações moleculares sobre a dinâmica de conservação e de contaminação”, explica Gianni Barcaccia, um dos autores do estudo, em comunicado. “Ao mesmo tempo, destaca a limitação intrínseca da abordagem metagenômica: o DNA analisado representa a sobreposição de sinais biológicos acumulados ao longo do tempo e, consequentemente, requer cautela na atribuição de eventos históricos ou origens geográficas e achados genéticos individuais”

Em outras palavras: com tantas informações diferentes, tentar isolar o DNA humano original do tecido – que, segundo a tradição cristã, seria o de Jesus – é uma tarefa praticamente impossível. A autenticidade e a idade do Sudário não foram determinadas por esta pesquisa.

O estudo, porém, abre uma nova frente de investigação: reconstruir a longa trajetória do tecido antes de ele ser preservado pela Igreja. Afinal, ao longo dos séculos, o Sudário foi armazenado, transportado e manuseado por inúmeras pessoas em diferentes locais.

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

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