O jornalista Rafael Cardoso lançou no Rio de Janeiro o livro Autobiografias de escravizados: Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, publicado pela editora Dialética. A obra resulta de sua pesquisa de mestrado em história pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
O estudo propõe um olhar inverso ao mais comum nas ciências sociais, ao analisar a história dos Estados Unidos a partir da produção acadêmica de um pesquisador brasileiro. Cardoso destaca que o interesse por estudar a escravidão em outro país amplia a compreensão histórica além das fronteiras nacionais.
Segundo o autor, uma das principais diferenças entre Brasil e Estados Unidos está na disponibilidade de fontes. Nos Estados Unidos, há centenas de relatos escritos por pessoas que fugiram do sul escravista para o norte abolicionista, algo raro na história brasileira.
No Brasil, a ausência de narrativas em primeira pessoa de pessoas escravizadas, em sua maioria analfabetas, levou historiadores a reconstruírem essa história a partir de registros oficiais e documentos administrativos. A exceção citada por Cardoso é a Biografia de Mahommah Gardo Baquaqua, africano nascido no atual Benim que viveu a escravidão em Pernambuco e no Rio de Janeiro antes de conquistar a liberdade em Nova York.
Douglass e Grimes
O livro tem como foco as trajetórias de Frederick Douglass (1818-1895), líder abolicionista, e William Grimes (1784-1865), barbeiro. Ambos pertenciam à segunda ou terceira geração de escravizados nos Estados Unidos e publicaram duas autobiografias cada um, em períodos distintos do século XIX.
Ao comparar relatos escritos com um intervalo de cerca de 30 anos, o autor identifica transformações sociais no sistema escravista norte-americano. As narrativas revelam aspectos do cotidiano, dos laços familiares, das relações sociais e do contexto político vividos pelos autores.
Com formação teórica influenciada pelo marxismo e por Antonio Gramsci, Cardoso ressalta que fatores econômicos e sociais condicionam as escolhas individuais e moldam as possibilidades de vida.
Atuando como repórter especializado em pautas sociais e ambientais, o jornalista afirma que o estudo da história contribui para fortalecer a análise crítica da realidade, elemento essencial para o exercício do jornalismo.
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Fonte: cenariomt






