Saúde

Águas-vivas dormem 8 horas por dia sem cérebro: entenda esse fascinante comportamento dos animais marinhos

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  • Quem não gosta de uma boa soneca? Até mesmo águas-vivas e anêmonas, animais primitivos que não têm cérebro, dormem cerca de oito horas por dia, descobriu um novo estudo. 

    Esse padrão, bastante parecido com o dos humanos, reforça a hipótese de que o sono surgiu na história evolutiva para, entre outras funções, proteger os neurônios e reparar o DNA dessas células enquanto dormimos.

    Antes, já se sabia que águas-vivas entravam em um estado de inatividade análogo ao nosso sono, mas a nova pesquisa é a primeira a identificar essa característica em anêmonas do mar. O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade Bar-Ilan, em Israel, e publicado no periódico Nature Communications.

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    Belas adormecidas

    Dormir é um ato perigoso na natureza: o indivíduo fica extremamente vulnerável a predadores. Mesmo assim, todos os animais com sistemas nervosos apagam por algumas horas todos os dias. Isso significa que o sono tem funções biológicas essenciais para esses seres vivos.

    Não se sabe exatamente quando o sono surgiu na árvore evolutiva da vida, mas uma das hipóteses mais populares diz que a característica apareceu em animais bastante primitivos, que já tinham células nervosas como neurônios em seus corpos, mas não possuíam um órgão centralizado para controlar esse sistema (no caso, o cérebro).

    Essa ideia ganhou força nos últimos anos, principalmente após um estudo de 2017 que mostrou que águas-vivas entravam num estado de dormência semelhante ao sono. Esses animais não têm cérebro, apenas uma rede de neurônios interconectada e espalhada por seus corpos gelatinosos.

    O novo estudo reforça a hipótese: os cientistas identificaram que a espécie Cassiopea andromeda, um tipo de água-viva, dorme por oito horas todos os dias, além de encaixar cochilos eventuais na sua rotina. É um padrão bastante parecido com o dos humanos. Os cientistas identificaram o mesmo fenômeno em anêmonas (espécie Nematostella vectensis), que entram num estado de sono por cerca de um terço do dia.

    A explicação mais provável é que, durante o sono, os mecanismos celulares de reparo ao DNA acontecem com mais força do que quando estamos acordados. Por isso o sono parece ter surgido logo quando os primeiros neurônios apareceram no reino animal, há centenas de milhões de anos: para proteger essas células do sistema nervoso, extremamente valiosas para os bichos. 

    No estudo, os cientistas notaram que esse reparo do DNA acontecia com mais intensidade quando as águas-vivas e anêmonas dormiam. Quando a equipe induziu mais danos ao genoma, usando radiação, os animais passaram a dormir mais horas. Os resultados indicam que, de fato, a soneca parece ser um mecanismo de proteção às células neurais.

    É provável, porém, que esse não seja o único fator que explique o surgimento do sono entre animais. Outros motivos provavelmente também têm influência. 

    Fonte: abril

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